Espaço LAB Cultural chega para melhorar profissionais do teatro musical
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Espaço LAB Cultural chega para melhorar profissionais do teatro musical

Ubiratan Brasil

02 de abril de 2019 | 21h56

A estreia de Les Misérables, em 2001, pode ser considerado o marco inicial da nova fase do musical no Brasil – dessa vez, mais próximo do esquema profissional que sustenta a Broadway. Foi naquele espetáculo que se descortinou a necessidade de uma grande equipe de profissionais, dentro e fora do palco, além da certeza de que praticamente não haveria espaço para improvisações. Afinal, para que o musical seja devidamente apresentado ao público, é necessário o trabalho de um verdadeiro exército entre marceneiros, costureiros, peruqueiros, maquiadores e outras funções, além do próprio elenco e da orquestra. Um batalhão que ultrapassa a centena de pessoas.

Com tal grau de especializações, tornou-se natural o surgimento de funções até então inexistentes no cenário teatral brasileiro, como o do stage manager, a pessoa responsável pela perfeita execução do espetáculo, único com autoridade para interromper uma sessão caso veja necessidade.

É nesse contexto em que a atualização das funções se tornou obrigatória é que nasce a LAB Cultural, um espaço onde será possível trocar experiências e informações sobre o universo do teatro, especialmente nas funções do canto, dança e atuação. Localizado no centro de São Paulo, o espaço tem a missão de provocar uma efervescência criativa. “A LAB tem como intuito desenvolver produtos e experiências para todos os tipos de públicos envolvidos em uma produção cultural, seja ele plateia ou fã com interesse em conhecer mais sobre este universo e assim como profissionais da área e estudantes que buscam um aperfeiçoamento ou novos direcionamentos”, explica José Vinicius Toro, idealizador do projeto.

Criador. O produtor José Vinicius Toro. Foto Marcos Mesquita

Ele mesmo é um exemplo bem acabado de profissional que se especializou em uma área (produção) e hoje, com apenas 24 anos, ostenta a participação em espetáculos do gabarito de Wicked, Les Misérables e Fantasma da Ópera, para citar apenas alguns.

Toro conta que o nome surgiu para mostrar o valor da troca de experiências. “A LAB surgiu justamente por conta da essência, de transformar as propostas pedagógicas em um verdadeiro laboratório para que as pessoas sejam inseridas de forma significativa no mercado ou que possam se aperfeiçoar dentro de suas áreas. A proposta vai muito além de simplesmente formar profissionais, mas contribuir de forma significativa para o mercado de entretenimento nacional”, afirma.

A grade de ações e eventos do espaço logo será divulgada, mas é possível adiantar boas surpresas como workshops com profissionais americanos que atuam hoje nas grandes produções da Broadway. Toro comandará uma equipe que está praticamente formada por artistas conhecidos pela contribuição ao teatro musical. O projeto conta com parceiros no mundo inteiro e vem sendo desenvolvido há oito meses, com a colaboração de membros do segmento nacional e parcerias estrangeiras, como o caso da Commercial Theater Institute de New York. Além disso, o projeto segue com parceria do Prêmio Bibi Ferreira, uma das principais premiações do gênero na América Latina.

“Hoje, como produtor, entendo que estamos em um constante crescimento”, observa Toro. “A área de atuação e canto passou por um grande crescimento em virtude da demanda aproximada de 1.100%, segundo dados do Prêmio Bibi Ferreira. Nos últimos anos, tivemos cerca de 20 produções musicais simultâneas em São Paulo, a oferta de atores e cantores é grande, porém, ao se tratar de equipe criativa, vemos os mesmos diretores, cenógrafos e designer, muitas vezes trabalhando em 3 espetáculos ao mesmo tempo, na parte técnica. O interesse em conseguir os melhores profissionais é comum a todas as produções, mas a quantidade de profissionais ainda é pequena. Na verdade, nós, produtores, temos dificuldade de encontrá-los e ficamos limitados às nossas redes de contatos.”

 

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