“É preciso que todo governo diga a verdade”, diz historiador da gripe espanhola
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“É preciso que todo governo diga a verdade”, diz historiador da gripe espanhola

Ubiratan Brasil

09 de junho de 2020 | 10h10

O historiador americano John M. Barry ganhou notoriedade, nas últimas semanas, graças a um livro que publicou em 2004: A Grande Gripe, lançado agora no Brasil pela Intrínseca, em que detalha a batalha contra a gripe espanhola, que assolou o mundo entre 1918 e 1920. Nas diversas entrevistas que concedeu – incluindo ao Estadão -, ele foi veemente em um assunto: a necessidade de qualquer governo ser transparente em relação a uma pandemia.

Na entrevista publicada em 25 de maio, no Estadão, Barry respondeu da seguinte forma, quando perguntado sobre as lições que é possível tirar da pandemia de influenza dos anos 1918-1920 e que deveriam ser aplicadas hoje, no caso do novo coronavírus:

Historiador. John Barry aconselhou as administrações Bush e Obama sobre pandemias. Foto Chris Granger

“A lição é contar a verdade”, disse ele, em entrevista realizada por e-mail. “Em 1918, aqueles governos que não disseram a verdade prejudicaram seus cidadãos de duas maneiras. Em primeiro lugar, as pessoas poderiam se proteger e, pelo contrário, se expuseram ao vírus e morreram. Em segundo lugar, as declarações enganosas e mentiras flagrantes foram contraproducentes.”

Segundo ele, o vírus em 1918 foi muito mais letal do que o novo coronavírus. “As pessoas morriam em 24 horas, às vezes com sintomas terríveis, incluindo sangramento do nariz, da boca, olhos e ouvidos. Muito rapidamente a população se deu conta de que as autoridades estavam mentindo. Como resultado, os cidadãos sabiam que não podiam confiar em ninguém, que eram deixados por sua própria conta e risco, cada família tendo de cuidar de si mesma.”

Perguntado sobre como a população deve ser informada da gravidade de uma pandemia sem que ela entre em pânico, Barry foi taxativo: “Dizer a verdade. As pessoas conseguem lidar com a verdade. A imaginação aterroriza muito mais do que qualquer verdade”.

Ao perceber que o presidente americano Donald Trump minimizava o potencial letal do novo coronavírus, Barry escreveu um artigo no jornal The New York Times em que foi direto: “A confiança na autoridade se desintegrou e, em sua essência, a sociedade se baseia na confiança”, escreveu. “Sem saber em quem ou em que acreditar, as pessoas também perderam a confiança umas nas outras. Elas ficaram alienadas, isoladas. A intimidade foi destruída.”

Leia a íntegra da entrevista ao Estadão em:

https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-sobre-gripe-espanhola-mostra-como-o-avanco-da-medicina-foi-decisivo-em-pandemias,70003313242

 

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