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Descobertas

Ubiratan Brasil

01 de abril de 2012 | 21h40

Tenho falado mais de musicais que qualquer outro assunto aqui. Mas é impossível não voltar a esse tema depois de termos quatro grandes estreias em março em São Paulo, um fato raro que, espero, não será isolado. Assim, insisto mais um pouco mas, agora, é para apontar as descobertas dos espetáculos que estão em cartaz. Todos sabemos que cada musical tem suas estrelas mas o divertido é descobrir, no chamado elenco secundário, verdadeiros talentos que logo estarão estourando por aqui, seja em um musical ou não. Por isso, listei alguns nomes que julgo muito promissores e que merecem atenção de quem vai assistir.

UM VIOLINISTA NO TELHADO: Que José Mayer e Soraya Ravenle estão estourando, todos, até eu, estamos careca de saber. Eles exibem um maravilhoso domínio do humor e do drama, com fortes interpretações musicias. Agora, fiquei novamente surpreso (pois tinha visto a montagem primeiro no Rio) com a beleza do trabalho de André Loddi. Ele faz Motel, o jovem alfaiate que primeiro se casa com uma das filhas de Tevye. André é maravilhoso ao apresentar um Motel dividido entre a timidez e a necessidade de enfrentar o futuro sogro e pedir sua mão em casamento. Ele me pareceu melhor que o ator que faz o mesmo papel no filme, do qual nem me lembro do nome. Fiquei maravilhado com seu trabalho.

TIM MAIA – VALE TUDO – O MUSICAL: Tiago Abravanel é “o” cara e isso ninguém constesta. Sua interpretação visceral é capaz de emocionar até quem não gosta de musicais. Mas o elenco de apoio é extremamente talentoso e não deixa a peteca cair. Falo principalmente de Reiner Tenente que tem tudo para ser exagerado, mas ele vai longe na caricatura sem ultrapassar o limite do grotesco. Incrível seu talento para fazer rir. Ele faz vários papeis mas são memoráveis suas interpretações de Roberto Carlos e Nelson Motta. Lilian Valeska, como o eterno amor de Tim Maia, também obriga a grudar o olhar em seu trabalho, enquanto está no palco. Ali está a picardia e a sensualidade de uma morena cativante.

A FAMÍLIA ADDAMS: Outro musical em que um dos atores – no caso Daniel Boaventura – já vale a compra do ingresso. Seu Gomez é inspiradíssimo, tanto na maluquice como na malandragem latina. Talvez seu melhor papel. Mas não dá pra deixar de lado Laura Lobo e Nicholas Torres, como os irmãos Wandinha e Feioso. Ela é marrenta na medida certa e canta espetacularmente bem, enquanto ele é um moleque de verdade, aquele que apronta pra se divertir e também pra chamar atenção. Claudio Galvan também se sai muito bem como Tio Fester, uma figura romântica, poética e, por isso mesmo, adorável.

PRISCILLA – RAINHA DO DESERTO: Já nem preciso mais repetir elogios a André Torquato – o menino (tem 19 anos) tem um raro talento e vai, certamente, longe. Pensei em destacar o trabalho ainda da veterana em musicais Andrezza Massei, que sabe utilizar muito bem sua veia cômica, e também o de outro veterano, Ruben Gabira, que tem a árdua tarefa de representar Bernadette, papel consagrado no cinema por Terence Stamp – ele nos oferece uma outra visão do personagem, igualmente tocante. Mas gostei realmente de Luciano Andrey no papel de Tick, a drag que organiza a viagem pelo deserto: trata-se do personagem com menor quantidade de falas certeiras, ou seja, aquelas que vão matar a plateia de rir e, assim, conquistar a simpatia com mais facilidade. Trata-se, como o próprio Luciano admitiu, um papel mais interiorizado. E ele consegue realizar divinamente, justificando aquela viagem maluca no ônibus e contribuindo para  o final especial. Mais do que nunca, aqui vemos como em um musical é preciso também saber atuar. Pelos outros atores, mas especialmente por Luciano, Priscilla vale a pena ser visto.

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