Danuza Leão inspira o monólogo ‘Pequeno Manual Prático para a Vida Feliz’
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Danuza Leão inspira o monólogo ‘Pequeno Manual Prático para a Vida Feliz’

Ubiratan Brasil

12 de janeiro de 2020 | 16h27

Danuza Leão sempre foi uma cronista versátil: do futebol (acompanhou in loco a conquista do Brasil na Copa do Mundo de 1994) a dicas de etiqueta, seu leque de assuntos é vasto. Não bastasse isso, sua biografia é não menos curiosa – basta folhear seu livro de memórias, Quase Tudo, que será possível encontrar ao menos 200 fotografias, em que ela aparece posando ao lado de figuras públicas como Juscelino Kubitschek, Mao Tsé-tung, o ator Rock Hudson e o cineasta Roberto Rossellini, entre outros. Pois é dessa mulher que transita tão bem entre ambientes íntimos e também nos mais sofisticados que trata a peça Pequeno Manual Prático para a Vida Feliz, cujos ensaios começaram há alguns dias.

Monólogo. Nicole Cordery como Danuza Leão. Foto Vinicius Campos

Ainda sem previsão de estreia – mas com uma leitura aberta confirmada no dia 4 de março, na Casa do Saber -, a peça é um monólogo que será interpretado por Nicole Cordery e terá direção da experiente Clara Carvalho. Será um tour de force, pois Danuza conviveu com figuras que participaram da história brasileira e que são relembradas no monólogo. Pessoas como o magnata da imprensa Assis Chateaubriand, a atriz Leila Diniz, o playboy Jorginho Guinle e dois jornalistas com quem Danuza foi casada, Samuel Wainer e Antonio Maria. Se, do primeiro, o que se ressalta é o ciúme doentio, do último, o texto (assinado pelo jornalista Bruno Cavalcanti) aproveita para tratar de um tema delicado que é o relacionamento abusivo.

Danuza foi testemunha da boemia carioca da primeira metade do século passado, tendo frequentado rodas intelectuais e artísticas. Irmã da cantora Nara Leão, ela foi modelo e até atriz, com uma participação no longa Terra em Transe, de Glauber Rocha. Danuza foi ainda, a seu modo refinado e discreto, uma fiel defensora dos direitos femininos quando esse assunto não era… assunto. Também viveu tragédias pessoais, desde a morte da irmã (de tumor cerebral) ao suicídio do pai e, principalmente, a terrível dor pela perda de um filho em um acidente. Sem contar os problemas com o alcoolismo. Uma história fascinante, que a própria Danuza, de uma certa forma, resumiu em uma frase de Quase Tudo: “Fui indo, aos trancos e barrancos, mas indo e aprendendo”.

Pequeno Manual Prático para a Vida Feliz terá a produção de produção de Selene Marinho e se trata do segundo texto para o teatro de Cavalcanti, um dos melhores jornalistas que hoje cobre as artes cênicas em São Paulo – o primeiro foi o Papo com o Diabo, estrelado por Eduardo Martini e dirigido por Elias Andreato.

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