Concerto celebra 15 anos de carreira em teatro musical de Carlos Bauzys
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Concerto celebra 15 anos de carreira em teatro musical de Carlos Bauzys

Ubiratan Brasil

29 de agosto de 2021 | 12h52

A história recente do musical brasileiro não é marcada apenas por grandes interpretações ou produções – a criação e a adaptação de melodias e letras também foram decisivas para a consolidação de espetáculos como marcos nos palcos nacionais. E um dos mais expressivos criadores é o maestro, arranjador e compositor Carlos Bauzys que, ao celebrar 15 anos de carreira em teatro musical, será homenageado por um concerto especial.

Com transmissão online, às 20h de segunda, 30, e terça, 31, pela plataforma #culturaemcasa (www.culturaemcasa) e pelo canal no YouTube do Prêmio Bibi Ferreira (www.youtube.com/premio bibiferreria), o concerto Carlos Bauzys – 15 Anos de Teatro Musical vai reunir atores cujos sucessos na carreira muitas vezes tiveram a assinatura do maestro na direção musical. Acompanhados por uma orquestra regida pelo próprio Bauzys, 16 músicos interpretam canções de 12 espetáculos, desde antigos como Cantando na Chuva como criações nacionais – é o caso de Aparecida – O Musical.

O regente. Carlos Bauzys é homenageado por 15 anos de carreira em teatro musical. Foto Helvio Romero/Estadão

Uma trajetória iniciada em 2006, quando foi convidado pela atriz Claudia Raia e pelo diretor musical Miguel Briamonte para reger a orquestra nas apresentações de Sweet Charity. “Eu estava com 24 anos na época e, como experiência, tinha sido assistente do maestro (e também meu tutor) Abel Rocha e algumas apresentações na Escola de Arte Dramática, com Iacov Hillel”, conta ele. “Mas Sweet Charity foi minha primeira grande produção, regendo uma orquestra de 13 músicos, um grande elenco e uma super estrela como protagonista.”

Foi o primeiro passo para, ao longo de 15 anos, participar de mais de 30 espetáculos – e, em vários, contribuindo decisivamente para a qualidade final. Foi o caso, por exemplo, de O Homem de La Mancha (2014), dirigido e adaptado por Miguel Falabella e cuja orquestração original inseria o flamenco dentro da estética do teatro cantado. Bauzys buscou a execução musical da maneira mais fiel e apaixonada possível, escalando dois violonistas especializados em melodia espanhola e acrescentando alguns arranjos extras que lhe pareceram pertinentes na concepção cênica de Falabella. Com isso, a sofisticação do original foi preservada e até melhorada.

Em outros momentos, as criações de Bauzys foram fundamentais para a manutenção da concepção original. Aconteceu em Rio Mais Brasil, o Nosso Musical (2017), de Gustavo Nunes e no qual o diretor Ulysses Cruz incumbiu o diretor musical de criar um espetáculo hip-hop, não MPB. Assim, Bauzys, aproveitou sua sólida experiência como regente, fundiu ritmos das regiões tratadas na história, além de criar letras especialmente para o espetáculo. Com isso, o espectador foi surpreendido com verdadeiras pérolas, como o clássico Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, que ganhou a inserção de um rap, também escrito por Bauzys.

Muitas vezes, toques sutis na partitura contribuíam de forma decisiva para que o público distinguisse a intenção dos personagens. Em Peter Pan, o Musical (2018), por exemplo, bastou Bauzys modular os tons (grave para os piratas, agudo para os meninos perdidos) para marcar as diferenças.

Seleção. A coreógrafa Kátia Barros, o diretor artístico Fred Hanson e o diretor musical Carlos Bauzys, na audição para ‘Sunset Boulevard’, em 2018. Foto Hélvio Romero/Estadão

Bauzys acompanhará o concerto direto de Nova York, onde já está para fazer um mestrado de dois anos de composição para teatro musical (chamado Musical Theater Writing Program), na New York University (NYU). Foi mais uma conquista, pois apenas um candidato teria direito a uma bolsa integral (o custo estimado do curso é de mais de US$ 100 mil). “E, segundo responsável pelo departamento de bolsas da universidade, eu sou o primeiro brasileiro a ser escolhido para esse curso”, orgulha-se.

Como está distante, Bauzys acompanhou de forma online a preparação de dois espetáculos que estreiam no dia 2 de setembro e que contam com sua assinatura na direção musical: Cinderella e Donna Summer Musical. “Como Cinderella iniciou os ensaios ainda antes de eu vir para Nova York, pude levantar toda a parte musical do espetáculo antes de partir. Já Donna Summer retomou os ensaios depois de minha viagem, então estou acompanhando tudo à distância”, conta.

Já o concerto em homenagem à sua trajetória conta com a participação dos atores Danilo de Moura, Ester Elias, Fred Silveira, Graça Cunha, Ingrid Gaigher, Lia Canineu, Maurício Xavier e Thiago Machado que irão interpretar clássicos de autores consagrados, mas também obras compostas por Bauzys, como Alladin – O Musical e Aparecida – O Musical. O espetáculo foi gravado no Teatro Sergio Cardoso e contou com a idealização e direção musical do próprio Bauzys. A direção geral é assinada por Marllos Silva e a produção é da Marcenaria de Cultura, que contou com recurso do PROAC Expresso LAB e dos oriundos da Lei Aldir Blanc.

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