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“company” novamente

Ubiratan Brasil

24 Abril 2011 | 23h42

Publiquei na edição de hoje, domingo, do Caderno 2 uma matéria sobre os 10 anos de musicais ao estilo Broadway no Brasil – mais especificadamente Rio e São Paulo. Claro que fiz a ressalva de que já se montava musical há muito mais tempo e até citei o exemplo do My Fair Lady com Paulo Autran e Bibi Ferreira nos anos 1960. Mas pretendo falar disso em outro post. O que me motivou esse foi a pesquisa que fiz para escrever tal matéria. Entre consultas de material pessoal e programas de peças, resolvi também rever alguns musicais que existem em DVD e fiquei novamente maravilhado com a versão americana de Company, lançada aqui pela Flashstar.

Quem não viu, precisa. E quem já, talvez mereça rever pois é simplesmente fantástico. Primeiro, a excelência desse maravilhoso trabalho de Stephen Sondheim. Novamente, é incrível como ele, com tão poucos recursos, promove uma aula desse tipo de carpintaria teatral, ou seja, sem cenários deslumbrantes ou figurinos elaborados – apenas um quadrado por onde os atores interpretam, cantam e executam seus instrumentos musicais. Em resumo: é preciso ter muito talento pois não há nenhum artifício que possa esconder alguma derrapada.

É um belo retrato da solidão, do valor da amizade, do questionamento dos relacionamentos. Vale lembrar que o musical foi montado no Brasil pela sempre talentosa dupla Claudio Botelho e Charles Moeller, montagem que se tornou histórica pois o próprio Sondheim veio ao Rio para assisti-la e aprová-la. A carta elogiosa escrita por ele vale como um diploma de pós-graduação.

Essa versão em vídeo é exemplar pois capta os detalhes, tem uma edição ágil sem ser cansativa e exalta o trabalho dos atores e do compositor. Já a vi ao menos seis ou sete vezes. E tenho certeza que ainda é pouco.