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Caderno 2, 25 anos

Ubiratan Brasil

06 Abril 2011 | 10h58

Hoje, quarta-feira, 6 de abril, o Caderno 2 completa 25 anos de existência. Desse total, participei durante 11 anos, quase a metade. Primeiro como repórter, depois sub-editor e, há um mês, como editor, sucedendo profissionais maravilhosos e respeitados, como Dib Carneiro Neto e Evaldo Mocarzel (com quem trabalhei diretamente), Antonio Gonçalves Filho (hoje, figura notável da nossa equipe), Marta Góes, Luiz Fernando Emediato (que conheço por entrevistá-los), e, finalmente, José Onofre, já falecido, que não tive o prazer de conhecer.

Com o C2, o Estadão pretendia resolver dois problemas que incomodavam na época: ter um caderno de cultura para disputar o mercado com a Ilustrada da Folha e iniciar uma reformulação do projeto gráfico. Creio que foi vitorioso nas duas frentes.

Costumo ouvir de muitas pessoas que o C2 é referência em termos de cobertura cultural. Algumas, eu sei, fazem apenas um elogio, mas, outras (a maioria, felizmente) parecem convincentes e verdadeiras. Creio que o C2, de fato, estabeleceu uma forma de cobertura que traz consistência e informação. E muito disso se deve à excelência de seus repórteres que sabem aproveitar o espaço, de fato, generoso. Eu me sinto tranquilo para fazer esse comentário pois sou há mais tempo leitor que repórter do C2. E já achava isso mesmo quando trabalhava na concorrência.

Na verdade, é uma tradição do jornal, que teve o Suplemento Literário, um caderno que até hoje continua como referência.  Mais que informado, eu me sentia formado pelo C2. Foi pelo caderno, por exemplo, que descobri a literatura de grandes autores, como o austríaco Thomas Bernhard, que me impressionou ao ler um artigo escrito pelo Antonio Gonçalves. Lembro que imediatamente fui à livraria arrematar aquele livro.

Creio que essa deve ser ainda a missão do C2. Informar e formar. Saber distinguir o que realmente deve ser divulgado, sem preconceitos ou distinções.