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As Bruxas, finalmente

Ubiratan Brasil

27 de agosto de 2011 | 23h13

“As Bruxas de Eastwick”  já está em cartaz no Teatro Bradesco. Acompanhei alguns momentos do processo, o que foi emocionante pois foi possível notar como “nasce” um grande musical.

Quando digo “grande”, credito o mérito para Charles Moeller e Claudio Botelho. Sim, porque se estivéssemos assistindo à uma réplica do original americano, talvez não estivéssemos nos divertndo tanto. Charles e Claudio, para começar, deram pitadas brasileiras na montagem, salientando a picardia em detrimento de um erotismo verbal e possibilitando uma coreografia sensual como ainda não tínhamos visto por aqui – o mérito aqui é dividido com o coreógrafo Alonso Barros.

Outro detalhe foi a composição do elenco – era necessária a alquimia perfeita entre saber cantar e interpretar. Novamente, outra jogada de mestre da dupla, alçando Eduardo Galvão para o estrelato musical, e compondo um afinado trio de bruxas com Maria Clara Gueiros, Sabrina Korgut e Renata Ricci. Elas dominam o timing do humor além de compor um coral em que, mesmo uníssono, é possível perceber característica de cada uma.

Quem faz arte teatral sabe que não existe protagonismo sem uma eficiente equipe de apoio e o elenco continua equilibrado com Fafy Siqueira em participação hilariante, além de Renato Rabelo e André Torquarto. O primeiro já um quase veterano mas consegue não repetir papeis além de também ter um incrível domínio do humor: sua presença em cena jamais passa despercebido. E André vem conquistando cada vez mais espaço, alternando canto, dança e interpretação como um profissional já consolidado, apesar de ainda não ter 20 anos.

De todos os números, gosto muito de Roupa Suja pela graça das letras e da interpretação do elenco feminino. Os rapazes, por outro lado, exibem técnica e força física em um número de dança que dura 8 minutos. Parece pouco para quem está sentado mas, no palco, é preciso unir sincrocidade com delicadeza.

Nem mencionei os efeitos especiais para não estragar a surpresa, mas confesso que não via o público tão maravilhado desde a famosa queda do lustre em “O Fantasma da Ópera”. Imperdível é pouco para definir “As Bruxas de Eastwick”.

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