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Ainda as velhas

Ubiratan Brasil

12 de setembro de 2010 | 20h54

  Hoje, domingo, fui à festa de aniversário do Luiz Carlos Merten, meu colega de Caderno 2, amigo querido. Sua disposição para o trabalho e para a vida continua invejável, um exemplo para qualquer um. E lá, entre os convidados, encontrei com Pascoal da Conceição, que me contou ser um sucesso de público a peça As Três Velhas, tema de meu primeiro post neste blog.

  Pascoal revelou também que Maria Alice Vergueiro, atriz e diretora do espetáculo, entrou em contato com o autor da peça, o chileno Alejandro Jodorowsky, e o convidou a vir a São Paulo para a estreia. O alto custo, porém, impediu sua vinda. Uma pena – Jodorowsky é um dos criadores do Movimento Pânico, ao lado de Arrabal (que esteve em São Paulo no ano passado) e Topor. O movimento se caracteriza por uma ausência de estilo fixo, comungando tudo em um apenas um espetáculo. É por isso que não se pode classificar As Três Velhas como drama e comédia. É tudo isso e mais alguma coisa,quase que um ritual.

  E, seguindo esse raciocínio, ao ressaltar as qualidades superiores da interpretação de Maria Alice, cometi o pecado da ausência, ou seja, deixei em um segundo plano o próprio Pascoal e Luciano Chirolli, que completam o elenco. Se há um inevitável deslumbramento com Maria Alice em cena, muito se deve à dupla e seu talento. Pascoal tem uma incrível trajetória, camaleônica: quando se imagina que será um ator constante nas montagens de Zé Celso Martinez Corrêa, lá está ele trabalhando com Sérgio Ferrara, interpretando Mário de Andrade. Ou com Gabriel Vilela. Sempre surpreendendo.

  O mesmo vale para Chirolli, cuja participação em peças inspiradas em obras literárias o obriga a se superar. Em Três Velhas, eles entram em sintonia com a loucura de Maria Alice que, por sua vez, dá voz ao lúcifer interior de Jodorowsky. É um raro momento de prazer acompanhar mais um passo na carreira de três atores especiais.

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