Romero, Freixo e a “Regra do Jogo”
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Romero, Freixo e a “Regra do Jogo”

Ambos atuaram na comunidade carcerária, seguiram carreira política, mediaram rebeliões em presídios e atuam em setores marginalizados da sociedade. Tanto Romero como Fraga se converteram em heróis ao evitar o pior em situações perigosas

Pedro Venceslau

24 de setembro de 2015 | 17h57

SAO PAULO / 31/08/2015 / CADERNO 2 / Cena da novela Regra do Jogo / Romero ( Alexandre Nero ). Crédito: Globo/João Miguel Júnior

SAO PAULO / 31/08/2015 / CADERNO 2 / Cena da novela Regra do Jogo / Romero ( Alexandre Nero ). Crédito: Globo/João Miguel Júnior

A novela “A Regra do Jogo”, da Globo, preocupa o pequeno e combativo Psol. O partido teme que o personagem central da trama, o ativista e ex-vereador Romero Romulo, possa contaminar de forma subliminar o prestígio do deputado estadual fluminense Marcelo Freixo, que disputará a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016 pela legenda.

Até a metade do primeiro capítulo da novela, muita gente pensou que o vereador e militante da ficção, interpretado por Alexandre Nero, seria uma “reedição” do deputado Diogo Fraga (Irandhir Santos) em Tropa de Elite 2 – que foi inspirado em Freixo e alavancou sua popularidade.

As semelhanças eram muitas. Ambos atuaram na comunidade carcerária, seguiram carreira política, mediaram rebeliões em presídios e atuam em setores marginalizados da sociedade. Tanto Romero como Fraga se converteram em heróis ao evitar o pior em situações perigosas.

E tem mais. Enquanto no filme o deputado se alia ao Capitão Nascimento, ícone do BOPE, na novela o filho de Romero é membro de uma força policial de elite. Até aí tudo ia bem. Mas do meio para o fim do primeiro capítulo descobrimos que Romulo é, na verdade, um “agente duplo”. Se passa por ativista, mas atua em uma facção criminosa e vive secretamente em uma cobertura de luxo.

Pior: ainda zomba dos militantes que atuam nessa área. Em uma cena recente, Romero apresentou credenciais da Anistia Internacional para entrar com uma bomba em um presídio sem ser revistado.

A organização reagiu como uma nota de repúdio. Na réplica, a Globo afirmou que as novelas “são obras de ficção”, como fica registrado ao final de cada capítulo. Não para o Psol.

“É muita coincidência. A novela deve ir pelo menos até o começo de 2016, que será ano de eleição. O Marcelo (Freixo) será um candidato muito forte. Essa imagem do militante dos direitos humanos corrompido fica no imaginário das pessoas. É tudo que eles queriam”, diz a escritora Daniela Lima, militante do Psol no Rio de Janeiro. Ela conta que esse debate começou internamente na legenda logo no primeiro capítulo.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) diz que não assiste ao folhetim, mas também se mostra incomodado com a repercussão do personagem. “A novela pode confundir o eleitor”, afirma.

Os militantes reclamam, ainda, que o personagem de Alexandre Nero reforça o discurso da intolerância e fragiliza a bandeira dos direitos humanos em um momento de avanço do discurso conservador.