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Primavera Árabe para americano ver

Segunda temporada de Tyrant continua didática e intensa, mas flerta com o clichê

Pedro Venceslau

30 Julho 2015 | 17h59

Exibida em março no Brasil pela Globo, a primeira temporada da série Tyrant conseguiu ser ao mesmo tempo intensa, verossímil e didática ao usar a Primavera Árabe como inspiração e pano de fundo para contar a história da família Al Fayeed, que comanda com mão de ferro um país fictício do Oriente Médio chamado Abbudin .

Apesar de ser uma produção norte-americana falada em inglês, a série, que foi gravada entre Israel e Turquia, reproduziu com maestria palácios, becos e conspirações. Para os não iniciados, Tyrant conta a história de Bassam Al Fayeed, o filho mais novo do ditador de uma nação em guerra civil no Oriente Médio que volta de um exílio de 20 anos nos Estados Unidos acompanhado de sua mulher, americana, e dos filhos, para acompanhar o casamento do sobrinho.

Era para ser uma passagem rápida, já que o americanizado Bassam rejeita o seu passado e não aceita o modo truculento como o clã comanda a pequena nação abençoada pelo petróleo. Mas ele acaba ficando e se deixa seduzir pelo poder, que recai sobre o irmão depois da morte do patriarca.

A segunda temporada, que está disponível na Apple TV, começa com Bassam preso e esperando para ser enforcado depois de ser flagrado conspirando para derrubar o irmão ditador do poder. “Vivo Bassam é a esperança do povo. Morto ele será esquecido”, sentencia o general linha dura em tom professoral. 

Enquanto o caçula Jamal procrastina a difícil decisão de executar o irmão traidor, Bassam se converte em um símbolo de liberdade para os sediciosos. Mas a solução encontrada pelo ditador para não ser massacrado por sua consciência abre uma brecha dramática previsível: um outro homem encapuzado é enforcado no lugar de Bassam, que é abandonado no deserto.

Já vimos esse recurso em novelas da Globo. Dado como “morto”, Bassam vaga pelas areias escaldantes até ser resgatado. Passa, então, a circular anônimo enquanto prepara um retorno triunfal.