O melhor da boa safra de séries escandinavas
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O melhor da boa safra de séries escandinavas

Depois da dinamarquesa/sueca "Bron/Broen", trama policial que nos Estados Unidos virou The Bridge, da comédia norueguesa Lilyhammer, que tem como protagonista um dos melhores mafiosos de Família Soprano, e do thriller político Borgen, a nova vedete é a norueguesa Mammon

Pedro Venceslau

29 Outubro 2015 | 16h12

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Não é de hoje que a Escandinávia, região fria do norte da Europa, oferece safras tão boas de séries quanto de Aquavit, a tradicional aguardente feita a partir da destilação de batatas ou cereais.

Depois da dinamarquesa/sueca “Bron/Broen”, trama policial que nos Estados Unidos virou The Bridge, da comédia norueguesa Lilyhammer, que tem como protagonista um dos melhores mafiosos de Família Soprano, e do thriller político Borgen, a nova vedete é a norueguesa Mammon.

Com apenas seis episódios, um mais tenso do que outro, a primeira temporada da série apresenta uma trama policial sombria que se mistura com o labirinto interno de personagens problemáticos – tudo isso cercado por um forte componente místico. Lembrou de algo? Sim, em alguns aspectos Mammon lembra muito a primeira temporada de True Detective.

Nesse caso, porém, a conspiração envolve o primeiro escalão da política, dos negócios e da mídia nacional. A trama narra a trajetória de um ambicioso jornalista, Peter Verås, durante seis dias. Repórter de uma das publicações mais importantes da Noruega, ele sofre uma reviravolta em sua carreira quando uma fonte anônima lhe repassa pistas supostamente concretas sobre uma fraude financeira.

Seria apenas um grande furo de reportagem, mas as evidências acabam apontando o irmão do repórter como um dos principais responsáveis. A partir deste ponto qualquer nova revelação seria spoiler, mas a tradução no Google da palavra Mammon dá algumas pistas sobre o clima da série: “Termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade”.

A produção é impecável e as cenas de ação bem coreografadas. Os personagens, além de bem construídos, não exibem afetação. São frios mesmo nos piores momentos, o que muita gente acostumada com o ritmo norte-americano às vezes estranha. Também é bom deixar avisado que é preciso estômago forte para encarar algumas cenas sem desviar o olho.

O principal problema de Mammon é o mesmo de outras séries da região: a linguagem. Por melhor que seja a legenda, sempre fica a impressão que a fala é muito mais ampla do que aquilo que foi traduzido na parte de baixo da tela.

Talvez isso explique o fato de que boa parte das séries escandinavas faça sucesso no mercado mundial só depois de regravadas em versões inglesas ou norte-americanas. Em tempo: a franquia Mammon já foi vendida para o Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Luxemburgo, Bélgica e Holanda.

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