O dia em que Marseille superou Washington
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O dia em que Marseille superou Washington

Marseille, a primeira produção original do Netflix na França, é o melhor produto disponível no serviço de TV por Internet desde a estreia de House of Cards 3

Pedro Venceslau

30 de maio de 2016 | 17h01

marseille

Para quem gosta de política, a série Marseille, a primeira produção original do Netflix na França, é a melhor produto disponível no serviço de TV por Internet desde a estreia de House of Cards 3. Para quem gosta de novela, também.

Estão lá todos os elementos que transformaram a trajetória de Frank Underwood em sucesso de crítica e público. Os diálogos são ágeis e as articulações verossímeis. O personagem central, o prefeito de Marseille, Robert Taro, interpretado por um inspiradíssimo Gérard Depardieu, é implacável e carismático.

Há uma boa interlocução entre jornalismo e política, muitos esqueletos guardados no armário e um objetivo claro no horizonte, o poder. Em um determinado momento, porém, Marseille entra em clima de novelão da Globo.

O bem e o mal ganham contornos claros, e isso não é ruim.

Romance proibido entre a moça rica e moço da periferia que flerta com a bandidagem, filha em busca da verdade, passado mal resolvido e a tradicional batalha épica por vingança. Está tudo lá.

A série tira o melhor das duas fórmulas. A trama tem começo, meio e fim. Pode ser que haja uma segunda temporada, mas a primeira não deixa pontas soltas. Ou seja: não há gordura.

Todo esse cardápio é embalado por cenas deslumbrantes da cidade portuária francesa que dá nome a série. Marseille é na verdade a personagem principal.

A peça de resistência do roteiro é uma traição. Após governar Marseille por 20 anos, Robert Taro quer se aposentar e fazer do afilhado político seu sucessor. Mas a criatura se rebela contra o criador de forma abrupta.

Marseille é uma daquelas séries que deve ser saboreada de uma só vez.

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