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Novela sobre Pablo Escobar é melhor que Narcos

Criticar o sotaque de Wagner Moura na pele do narcotraficante Pablo Escobar é considerado crime de lesa-pátria pelos fãs

Pedro Venceslau

02 Setembro 2015 | 17h32

narcos

Menos de uma semana depois de estrear no Netflix, a série Narcos já virou objeto de culto. E como tal, tornou-se um vespeiro. Criticar o sotaque de Wagner Moura na pele do narcotraficante Pablo Escobar é considerado crime de lesa-pátria pelos fãs.

O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) é um deles. “Inveja pelo talento e prestígio de Wagner Moura, ressentimento político (por Wagner Moura defender ideias progressistas e à esquerda) e disputa de mercado (porque a Netflix está tirando audiência das tevês abertas): só isso justifica essa sentença!”, disparou o parlamentar em um post no Facebook. Ele se refere a um texto do colunista Bruno Ferrari, da Época, que ousou dizer que a nova série do Netflix “tropeçou no espanhol” do protagonista.

O jornalista Mário Magalhães, autor da biografia do guerrilheiro Carlos Marighella, foi outro que se mostrou incomodado com as reclamações. “Com a tarimba de quem morou por dez anos, a adolescência inteirinha, a menos de uma hora e meia da fronteira com o Uruguai, estou assombrado com a última deste nosso país idiossincrático: a pátria agora parece ser a de especialistas em espanhol, sobretudo em sotaque, até na pronúncia de cada rincão da Colômbia’, escreveu o experiente repórter em seu blog, no UOL.

Não sou “especialista em espanhol”, mas depois de assistir todos os 74 capítulos da novela colombiana “Pablo Escobar: o senhor do tráfico”, produzida pela TV Caracol e exibida ano passado no Brasil pelo Globosat, também estranhei o sotaque de Wagner Moura. Foi impossível não compará-lo com o de Andrés Parra, que fez o papel de Escobar na versão nativa.

Além da facilidade com a língua, o ator colombiano se parece muito mais fisicamente com o narcotraficante do que o astro brasileiro. Parra esta mais à vontade no papel. Já o desempenho de Wagner Moura lembra o galã Benicio del Toro no filme “Escobar: Paradise Lost”. Escobar não tinha pinta de bandido ou galã. Pelo contrário. Era um sujeito bonachão. Um cara qualquer.

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A novela colombiana contou a história do ponto de vista de Pablo Escobar e optou por acompanhá-lo desde a infância. Já a série cortou caminho. Além de pular os preâmbulos, optou por narrar a saga do narcotraficante sob a ótica de um soldado da agência antidrogas americana, a DEA.

Por mais que Narcos aponte erros na estratégia dos EUA para o narcotráfico, a escolha acaba passando o mesmo recado de sempre: quando tudo parece perdido, só o Tio Sam pode salvar o planeta. “Agora Pablo tinha algo a temer, nós”, disse a certa altura o agente-narrador Steve Murpy, do DEA, ao se referir ao acordo que permitiu a extradição dos narcotraficantes.