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House of Cards desabou sem Frank Underwood                  

Francis é onipresente no roteiro, mas Spacey foi apagado da história como se nunca tivesse existido. Série terminou irrelevante e sem sentido                    

Pedro Venceslau

20 Novembro 2018 | 13h52

Em uma das primeiras cenas da 6° temporada de House of Cards, a presidente  Claire Underwood (Robin Wright) está sozinha na limousine presidencial blindada quando abre uma reportagem sobre o funeral do marido, o ex-presidente Frank Underwood.

As fotos mostram o corpo no caixão do pescoço para baixo. Simplesmente escondem o rosto do finado. É um péssimo presságio. Lançada em 2013, a série arrebatou público e crítica nos três anos seguintes.

Foi a primeira de streaming indicada ao Emmy, o ‘Oscar’ da TV. O prêmio também foi entregue a Robin Wright e Kevin Spacey. Nas últimas duas temporadas, porém, a trama veio perdendo fôlego, audiência e relevância.

As filmagens da 6° já tinham alcançado o 3° episódio quando veio à tona uma investigação sobre assédio sexual envolvendo Spacey.

A Netflix agiu rápido: demitiu o ator e começou tudo de novo. Do zero e às pressas.

A publicidade antes da estreia apelou para o spoiler e anunciou a morte de Frank Underwood. Os 13 episódios previstos foram reduzidos para 8 capítulos arrastados.

Não seria exagero dizer que House of Cards, que respirava por aparelhos, não acabou, mas morreu junto com seu protagonista. É triste ver uma série que marcou época acabar de forma tão melancólica e irrelevante.

Na esteira do escândalo envolvendo Spacey, os autores colocaram o machismo em cena, mas erraram na mão e exageraram na dose. O feminismo acabou virando muleta para uma trama fraca e rocambolesca.

Claire Underwood surge no Salão Oval acuada e tutelada por um chefe de gabinete/vice e dois irmãos milionários que usam e abusam da Presidência para fazer negócios obscuros.

A viúva de Frank tenta se impor diante das cenas de machismo explícito, mas se mostra frágil apesar do ar blasé e das frases de efeito olhando para a Câmera.

Em uma delas diz imponente: “Eu preciso enterrar Francis”.

O chefe de gabinete grita com ela, assim  como o milionário arrogante, que chega ao cúmulo de manipular a mão da presidente para que ela assine um decreto.

A trama política pontuada por crimes peca pela total falta verossimilhança, uma característica que veio se acentuando a partir da terceira temporada.

O eixo desorganizador da série foi sem dúvida Kevin Spacey.

Sua ausência grita a cada episódio. Frank está onipresente no roteiro, mas Spacey foi apagado da história como se nunca tivesse existido.

 

 

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