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Fogaça, do MasterChef Brasil, zombou dos seus patrocinadores

Apesar de cozinhar diante das câmeras usando margarina e maionese industrializada, Fogaça deixou claro que abomina os dois produtos

Pedro Venceslau

10 Setembro 2015 | 15h55

master cheg braisl

Em uma entrevista concedida esta semana ao portal UOL, o chef Henrique Fogaça, astro do MasterChef Brasil e dono dos restaurantes Sal Gastronomia, Cão Véio e Admiral’s Place, revelou que margarina “não entra no seu cardápio”. A afirmação foi feita quando ele falava sobre os “princípios” culinários que tenta manter diante da demanda por ações de merchandising decorrentes do reality.

“Tenho contrato com a Band. Tenho que fazer (merchandising). Mas queriam que eu fizesse uma receita de arroz cremoso com maionese. Disse que isso era contra meus princípios”, afirmou Fogaça. No final das contas, deu-se um jeitinho e ele escolheu outra receita (menos horrível) para falar bem da Hellmann’s.

A marca não está na prateleira de nenhum dos seus restaurantes: “Faço a minha própria maionese”, afirmou. Ou seja: apesar de cozinhar diante das câmeras usando margarina e maionese industrializada, Fogaça deixou claro que abomina os dois produtos. Ninguém se importou muito com isso.

Já Roberto Carlos e Zeca Pagodinho por muito menos foram bombardeados por todos os lados. Puxem pela memória. Em um comercial que custou os olhos da cara para a Friboi, o “Rei” pediu um bife da marca, mas não se deu ao trabalho de cortar um naco e levá-lo à boca. Foi um Deus no acuda no mercado publicitário.

O cineasta Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, foi um dos que contribuiu com a polêmica. “Nas agências fala-se que R$ 25 milhões teria sido o cache do Roberto Carlos para falar que voltou a comer carne (…) A turma que participou da filmagem garante que ele sequer cortou o bife. Continua veggie como sempre foi”.

O caso virou um pesadelo para a marca e o cantor, que passou a ser questionado o tempo todo sobre seu retorno ao mundo dos carnívoros. “Comecei a não comer e não comi mais. Mas depois de uma certa época comecei a ter vontade, sim. É por isso que, na verdade, comecei a ter vontade desde que parei”, enrolou-se ao tentar explicar.

Com Zeca Pagodinho a celeuma se deu por conta de cerveja, seu produto favorito. Nesse caso, porém, ele fez do limão uma caipirinha. Foi contratado pela Nova Schin, uma cerveja tão ruim que só harmoniza bem com arroz cremoso de maionese, mas continuou bebendo sua cerveja de sempre, a Brahma. Não demorou para que fotógrafos flagrassem o garoto propaganda da Schin “traindo” a marca em botecos e eventos sociais. Resultado: a Brahma dobrou a aposta a levou Zeca.

O músico então passou a contar, com semblante aliviado: “Fui provar outro sabor/Eu sei/Mas, não largo o meu amor/Voltei”. Mas voltemos ao Fogaça. As ações de merchandising feitas por ele e seus parceiros na atração não deixam margem para que se fale em “princípios”.

O único princípio ali é a grana. Uma marca paga para que ele finja usá-la em suas receitas. Sem nenhum constrangimento ele deixa claro que abomina o produto, mas não se importa em ludibriar a audiência.