“Designated Survivor” começa bem, mas se perde no caminho
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“Designated Survivor” começa bem, mas se perde no caminho

O episódio piloto é animador, mas já no segundo o caldo começa a desandar

Pedro Venceslau

06 Janeiro 2017 | 18h11

Presidente na série

Presidente na série

A série “Designated Survivor”, produção do canal americano ABC que chegou ao Brasil pela Netflix no fim de dezembro, nasceu de uma boa sacada, mas perdeu-se no meio do caminho.

Sempre que o presidente norte-americano vai ao Capitólio para o discurso anual sobre o estado da União, um integrante do segundo escalão é convocado para se ausentar do local.

A regra existe na vida real. O objetivo é garantir que alguém da gestão esteja vivo para administrar o país caso todos os demais membros da linha sucessória sejam mortos em um ataque terrorista.

Vale lembrar que o discurso é o único evento que reúne no mesmo espaço físico o presidente, seu vice e os chefes do legislativo e judiciário.

A série começa realizando a fantasia de terror que nutre a paranoia da população: uma bomba devasta o local e mata o primeiro escalão. O segundo sinal promissor de “Designated Survivor” foi a escolha do protagonista.

O bom e velho Kiefer Sutherland, que interpretou Jack Bauer na mitológica “24hs”, interpreta agora o ministro apagado escolhido como reserva técnica, mas que acaba tornado-se presidente dos Estados Unidos.

O episódio piloto é animador, mas já no segundo o caldo começa a desandar. Sutherland não convence na pele de um presidente inseguro, angustiado e que fala sussurrando, mas sempre mata a bola no peito e resolve os problemas como em um passe de mágica.

A série também se perde ao ficar no meio do caminho entre o bastidor político da Casa Branca e a ação conspiratória barata que serve de matriz para filmes de espionagem.

Em alguns momentos, “Designated” usa elementos de “Homeland”, em outros bebe na fonte de “West Wing” e “House Of Cards”. No final das contas, a história descamba de vez e perde qualquer vestígio de verossimilhança.