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A história real mais surreal da Netflix

Wallace, segundo a investigação, matava não só por audiência, mas por poder e dinheiro

Pedro Venceslau

10 de junho de 2019 | 16h15

Disponível desde a última sexta-feira na Netflix, a série documental Bandidos na TV conta a história real mais surreal da plataforma. Trata-se do caso Wallace Souza, que reinou na televisão do Amazonas no comando programa sensacionalista “Canal livre”.

A atração era a fina flor do mundo cão e diariamente explorava imagens chocantes de cadáveres carbonizados, perfurados de bala e muito sangue.

Ex-policial, Wallace chegou a bater a Globo em audiência na sua faixa. O segredo era chegar na cena do crime antes de todos, em muitos casos até da polícia. Os repórteres da atração já sabiam “em primeira mão” detalhes como o número de tiros disparados.

Esse roteiro não seria uma grande notícia se Wallace Souza não tivesse sido acusado de liderar uma milícia que praticava os crimes que ele depois mostrava com exclusividade no “Canal Livre”. Se fosse uma ficção soaria inverossímil. O apresentador justiceiro era recebido com herói nos bairros populares.

O caminho natural foi uma eleição fácil de deputado estadual, o que ampliou seu poder. Wallace, segundo a investigação, matava não só por audiência, mas por poder e dinheiro.

Ele foi acusado de destronar líderes do tráfico para ocupar suas bocas de fumo e ficar com dinheiro e drogas apreendidos. Enquanto isso, fazia muita demagogia na TV com palavras de ordem do tipo “bandido bom é bandido morto”. Wallace também praticava ao vivo crimes eleitorais ao atender demandas do público, que recebia de cadeiras de rodas até reforma de casas e carros.

‘Bandidos na TV’ conta com um excelente trabalho de edição e é um produto feito para sob medida para ser vendido no exterior. As falas são pausadas, didáticas e às vezes parecem ensaiadas.

O documentário também conseguiu ouvir testemunhas que antes temiam ser mortas e agora fazer novas revelações.
Entre os entrevistados está a mulher do ex-policial militar Moacir Jorge, o Moa, que denunciou Wallace após ser preso, e um dos filhos do apresentador, Wallace Souza.

A produção falou, ainda, com um ex-funcionário do “Canal livre” que, após depor na época, entrou para o programa de proteção de testemunhas, e, no último episódio, leva novas informações sobre o que teria acontecido.
Wallace morreu em 2010, em consequência de um ataque cardíaco, e os processos penais contra ele foram suspensos.

Sendo assim o caso terminou sem um desfecho oficial. Nunca saberemos se houve uma grande conspiração ou se ele realmente foi um chefão do crime com um programa na TV.

O diretor Daniel Bogado é britânico de origem paraguaia. Documentarista premiado, ele esteve no conflito no Sudão do Sul e o grupo terrorista nigeriano Boko Haram. Bogado conheceu a história de Wallace quando o caso repercutir na imprensa internacional, após reportagens do “Fantástico”, da TV Globo.

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