A audiência que saiu do armário
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A audiência que saiu do armário

Enquanto Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg mantêm uma distância calculada para não ofender os noveleiros conservadores, séries como Grace and Frankie, Transparent e The Fosters mostram que a temática LGBT entrou na rotina do público norte-americano

Pedro Venceslau

02 Julho 2015 | 15h19

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O Brasil está quatro anos adiantado em relação aos Estados Unidos no que se refere ao casamento gay, que por aqui ocorre na prática desde 2011. Mas enquanto o casal Teresa e Estela (Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg) é crucifixado na cruz da audiência pelo beijo na novela Babilônia, no país de Obama a temática LGBT é tratada com mais naturalidade nas séries de TV.

A série Grace and Frankie, que entrou recentemente na programação do Netflix, é um bom exemplo. Dois velhos amigos (e sócios), ambos na terceira idade, decidem sair do armário depois de 40 anos de romance clandestino e contam às respectivas esposas que vão se casar. Recém assumido, o casal Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterson) não economiza beijinhos afetuosos e cenas de afeto explícito. Tudo muito natural.

Já no folhetim global, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg mantêm uma distância calculada para não ofender os noveleiros conservadores. Exibida em canal aberto, a série “The Fosters”, da ABC, foi além e exibiu em março o primeiro bejio gay entre adolescentes da TV norte-americana.

Alguém consegue imaginar a Globo exibindo um beijo entre dois garotos de 13 anos? Apesar de polêmicas pontuais nas redes sociais, não houve registro de retaliações políticas ou campanhas de boicote ao canal, como a promovida pela Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em nota assinada pelo deputado federal e pastor evangélico João Campos (PSDB-GO), autor do projeto que ficou conhecido como “cura gay”, os parlamentares convocam os evangélicos a boicotarem a novela e seus anunciantes.

Outro exemplo de que os temas LGBT deixaram de ser tabu para o público norte-americano é a longa vida de atrações como o reality RuPaul’s Drag Race, que está indo para a sétima temporada, Orange Is the New Black , que já anunciou a quarta para 2016, e Transparent, que irá para a terceira no ano que vem.

Essa última, aliás, tem um roteiro que causaria arrepios aos conservadores brasileiros: uma família judia que tem sua vida transformada quando o patriarca revela ser um transexual e passa a vestir-se de mulher com a maior naturalidade do mundo.