Quanto Drama!: E se eu acabo com a vassoura?

Estadão

11 de abril de 2010 | 13h28

Se eu fosse personagem de novela, e considerando que nesta novela hipotética a vida seguiria depois do “felizes para sempre”, tudo o que pediria ao autor seria: “Não me deixe sozinha no fim!”

 É dureza a situação de certas moças da ficção. O começo da novela é um mar de oportunidades que surgem, tudo pode acontecer – mesmo que você seja a mais reles coadjuvante ainda terá chance de terminar com o galã, dependendo das reviravoltas promovidas na trama. Com o avançar da história, entretanto, as oportunidades se tornam escassas. Os capítulos finais vão chegando, e nada de o autor escrever um amorzinho para você.

Personagens de Viver a Vida, como a Paixão (Priscila Sol), a Ariane (Christine Fernandes) e a Suzana (Carolina Chalita) devem estar meio desesperadas – já a Soraia (Nanda Costa), aquela prima naja da Dora (Giovanna Antonelli), nem disfarça: está desesperadíssima.

 Quando uma novela chega às últimas semanas, lembro da Leila, uma amiga da minha tia Irene dos tempos em que se ela achava parecida com a Nina Hagen. Nos bailes pelas garagens mais bem frequentadas da Vila Ré, Leila era vítima da dança da vassoura. “Nunca vi uma vassoura se apegar tanto a alguém!”, diverte-se minha tia Irene quando conta a história. “A música do Air Supply acabando e a Leila lá, com a vassoura na mão, no meio da pista. Nem na versão mais longa de Making Love Out of Nothing At All, com aquele piano todo, ela conseguia se livrar daquilo.”

 As mulheres de Viver a Vida estão assim, numa dança da vassoura. Mateus Solano se desdobra em dois (Jorge e Miguel), mas nem assim dá conta da mulherada criada por Manoel Carlos. A surpresa é que, do nada, Ariane assumiu a dianteira na disputa por Jorge, o solteiro mais cobiçado do Leblon – de onde surgiu essa paquerinha? Perdi, mas não importa. Vale tudo para não terminar com a vassoura na mão.

(*) a coluna Quanto Drama! é publicada aos domingos no suplemento TV do Estadão.