Eterna adolescência

Estadão

04 de maio de 2010 | 14h13

Alline Dauroiz
Etienne Jacintho
LOS ANGELES
Cena de Vampire Diaries, da Warner

Cena de Vampire Diaries, da Warner

Adolescente é tudo igual em qualquer lugar do mundo.  E mais: adolescente é

igual, não importa se é mãe solteira, badboy, ginasta olímpica ou até
vampiro. “Não há drama maior que o Ensino Médio”, acredita a atriz Molly
Ringwald, com a propriedade de ser a Garota de Rosa Shocking, adolescente
símbolo dos filmes dos anos 1980.  A ruiva agora é mãe de uma jovem mãe em A
Vida Secreta da Adolescente Americana (The Secret Life of the American
Teenager), do Boomerang. “Até adultos se interessam por
histórias de colégio, ainda mais em séries que podem ser vistas com os
filhos”, diz Molly.
A atriz aponta a tendência das séries americanas teen, que hoje vão além de
Hannah Montana e High School Musical. “São séries atrativas para gente da
minha idade e, claro, para os adolescentes”, constata Molly.
Outro fator que contribui para o sucesso dessas atrações em todas as faixas
etárias é o fato de, atualmente, os adultos manterem a alma adolescente por
mais tempo.  Além disso, conversas entre pais e filhos sobre questões
polêmicas como sexo estão sendo tratadas de forma mais natural.  Todas as
novas séries, aliás, falam muito de sexo, seja em personagens desinibidos,
nos que decidem manter a virgindade até o casamento ou naqueles que
simplesmente não dão sorte no amor.
Sexo também está presente em Vampire Diaries.  Fenômeno nas livrarias, as
tramas de vampiros colegiais também têm agradado a jovens e adultos na TV.  E
isso é proposital.  Segundo Nina Dobrev, que vive a mocinha Elena e a vampira
egoísta Katherine na série – que volta inédita ao Warner Channel nesta
quinta-feira –, o autor Kevin Williamson escreve pensando também no público
mais velho. “Temos a história de amor, mas também ação, comédia, momentos
sombrios e aterrorizantes.  Ah!  E sexo”, diz Nina. “Assim, apesar do nosso
público predominante ser jovem e de todas essas temáticas, tudo é feito para
que se possa assistir à série com os pais”, diz Nina.
A polêmica não se restringe ao sexo, e as séries usam a escola e o ambiente
social teen como cenário para abordar outras questões que atingem os jovens.
Make It or Break It, que estreia terça-feira no Animax, tem como pano de
fundo o treinamento de ginastas cujo sonho é competir na Olimpíada.  Além das
agruras da juventude, a atração discute bastante o uso de anabolizantes por
atletas. “Os estudantes, hoje, estão lidando não só com drogas comuns, mas
com substâncias que melhoram a performance em esportes”, fala a atriz Peri
Gilpin, ex-Frasier, que interpreta Kim, mãe da jovem atleta Payson.  Na
trama, a menina sofre pelo  uso de esteroides.
Shailene Woodley em American Teenager

Shailene Woodley em American Teenager

Além das drogas –, temática presente em quase todas as séries teen – as

tramas também lidam com questões existenciais dessa fase da vida.
Adolescentes, por exemplo, sempre acham que estão sozinhos em seus
problemas.  Para a atriz Shailene Woodley, que interpreta a jovem Amy
Juergens, que engravida e decide ter o filho em The Secret Life of the
American Teenager, a identificação é parte importante das séries do gênero.
“Uma garota que estudou na minha escola e engravidou no último ano me disse
que a série deu a ela a noção de que ela não está só”, conta. “Ela percebeu
que há muitas meninas que passam pelo mesmo dilema.”
Permitido para maiores. Atrair a audiência adulta é também uma necessidade
para as séries com temática adolescente, já que o público-alvo tende a
escapar, ano a ano, da frente da TV, como observa Stephanie Savage, a autora
e produtora executiva de Gossip Girl e também criadora da adolescente The
O.C. “Nosso público, cada vez mais, assiste à série em outras mídias, no
iTunes, nos seus iPods e em toda sorte de aparelhos”, diz Stephanie.  Não à
toa, Gossip Girl recebeu no SBT o título de A Garota do Blog.
Para atrair os pais, a fórmula é até simples: além de mesclar dilemas comuns
a todas as idades, é comum recrutar ídolos adolescentes de décadas passadas
ou colocar bonitões maduros para encantar as mães.  Molly Ringwald não é a
única ex-teen famosa a participar de uma série adolescente.  Make It or Break
It resgata Candace Cameron Bure, a J.D. de Full House.  Já 90210, o remake de
Barrados no Baile, reuniu parte do elenco antigo em sua trama.
Pais descolados são a arma de Gossip Girl, com Matthew Settle, pai de Dan; e
de Life Unexpected (em cartaz no Liv), com Kristoffer Polaha, o pai
biológico, e Kerr Smith, o padastro e ex-astro de Dawson’s Creek.  Glee e
Vampire Diaries apostam nos professores gatos.
Em tempos em que a tecnologia rivaliza com o ibope da TV, qual seria a
receita para manter os adolescentes em frente à telinha por 40, 45 minutos?
“É preciso equilibrar música, moda, cultura, lugares para ir e, claro,
tramas como ‘Estou com ciúmes da minha melhor amiga’; ‘Amo alguém que não me
ama’; ‘Queria que meus pais prestassem mais atenção em mim’”, diz Stephanie.
Segundo a autora, essas tramas podem ser contadas várias vezes, por serem
universais e poderosas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: