BBB10 de hoje acata decisão da Justiça sobre aids

Estadão

29 de março de 2010 | 17h19

Big Brother Brasil 10

Hoje à noite, no “Big Brother Brasil 10”, o público conhecerá as formas de contágio do HIV. Saberá que, ao contrário do que disse o sábio Dourado, ídolo da torcida da edição atual, homem pode sim ser contaminado pelo vírus numa relação heterossexual.
A obra não é resultado puro e simples da responsabilidade social da Globo.
É o meio que a emissora encontrou para acatar a liminar do juiz Paulo Cezar Neves Junior, titular da 3ª Vara Civil Federal de São Paulo, que atendeu parcialmente a uma ação cautelar movida pelo Ministério Público Federal. O juiz só não atendeu ao pedido do MPF para que o esclarecimento no BBB10 tomasse o dobro do tempo que Dourado utilizou na defesa de sua tese. Determinou que a resposta seja dada no mesmo tempo e contexto da cena que gerou esse enredo.
Nas palavras de Dourado, “hetero não pega AIDS”, e “um homem transmite para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem”.
Em segundos, o sujeito que alimenta a audiência do “BBB 10” defenestrou anos e anos de campanha de prevenção à doença. “Salve”, como diria Pedro Bial.

HISTÓRICO
A declaração de Dourado foi feita no dia 2 de fevereiro, mas foi ao ar na edição dos “melhores momentos da semana”, no dia 9 de fevereiro. Se esses são os melhores momentos, ulalá, imagine os piores…
Para o autor da ação, o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, ao optar pela fala de Dourado na edição, a emissora prestou um “desserviço para a prevenção da Aids no Brasil”.
Depois da cena, Pedro Bial disse lá que “as opiniões e batatadas emitidas pelos participantes deste programa são de responsabilidade exclusiva dos participantes”, mas, ora pois, quem é que edita o programa e escolhe seus melhores momentos? Não são os participantes, de certo. Bial emendou que o público poderia acessar o site do Ministério da Saúde “para ter acesso a informações corretas sobre como é transmitido o vírus HIV”, o que, para o MPF, ficou bem aquém de uma retificação satisfatória.

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