Você não viu e não vai ver

Estadão

06 de outubro de 2010 | 15h20

O espetáculo de improvisação – o primeiro da nova seção ‘Improviso’ – se apresentou na semana passada e, infelizmente, ja se foi. Trata-se do Solo de Impro, do argentino Omar Galván, que fez no sábado (2), em São Paulo, sua única apresentação no Brasil, embora já tenha sido feita em 12 países.

Com duração de cerca de uma hora e meia, o show enquadra-se na categoria long form (longo formato), baseado na construção de histórias e não nos clássicos jogos de improvisação.

Mais que a estrutura propriamente dita, que ainda é pouco explorada por aqui (apenas o grupo Jogando no Quintal possui uma peça nesse padrão, o Caleidoscópio), o que torna o espetáculo especial é a forma como Galván o conduz. Sentado num banco de praça, ele envolve a plateia narrando as histórias (que são baseadas nos títulos escritos em papéis grudados em seu paletó e chapéu), e fazendo todos os personagens, que são muitos.

A pitada de requinte está no fato de a peça ser uma viagem literária improvisada, pois cada história encenada pelo habilidoso improvisador é estilizada com referências estruturais das obras de famosos escritores, como Shakespeare, Gabriel Garcia Marquez, Júlio Cortázar, entre outros. Além desses, Galván também trabalha com estilos de forma mais ampla, como o realismo mágico.

Entre os estilos encenados, o que mais chama a atenção é o bíblico, onde Galván abusa da ironia para transformar os títulos dados pela plateia em histórias que falem, ao seu modo, da fundação da Igreja.

Quem não teve o prazer de ver a encenação, que é mais poética que humorística, pode conferir um pouco no vídeo de uma apresentação feita em Turim, na Itália, em maio deste ano.

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