Verniz fosco

Estadão

17 Abril 2011 | 21h56

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Guga Melgar/DIV.

Em uma briga, um garoto quebra os dentes de outro. Em seguida, os pais dos dois — muito civilizados — conversam sobre a situação. Civilizadamente. Esta é a história de Deus da Carnificina, peça da francesa Yasmina Reza, que estreou sexta (15) no Teatro Vivo. “Trata-se apenas aparentemente de uma comédia leve”, avalia o diretor Emílio de Mello. É uma peça que trata da falta de solidariedade, de comunicação e até de respeito com o outro”, explica.

A incomunicabilidade do mundo contemporâneo é material de trabalho para vários dramaturgos, dos mais distintos, como Harold Pinter e Jan Fosse, entre tantos outros. Mas a abordagem de Reza é muito particular. Com um humor muito próprio, ela mira o ‘verniz social’, a pretensa polidez e equilíbrio (na peça, os adultos vividos por Deborah Evelyn, Paulo Betti, Julia Lemmertz e Orã Figueiredo) na vida em sociedade. A hipocrisia — e a selvageria — que o homem disfarça (ou tenta) com o decoro da civilidade.

Teatro Vivo (290 lug.). Av. Dr. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, 7420-1520. 14 anos 75 min. 6ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 19h. R$ 50/R$ 70.