Poder conjugal

Estadão

25 de junho de 2010 | 12h24

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O ator Daniel Dantas diz que se surpreende por nunca ter matado ninguém. “Ainda.” Talvez tenha sido esta percepção da própria humanidade que o tenha levado a produzir Macbeth. Ele encena a peça ao lado de Renata Sorrah e outros dez atores, sob direção de Aderbal Freire-Filho, o mesmo da versão de Hamlet estrelada por Wagner Moura.

Uma das mais conhecidas tragédias de Shakespeare, Macbeth é um ensaio sobrenatural sobre a ambição. O personagem-título (Dantas) é um general que, segundo uma profecia, vai se tornar rei da Escócia. Sua mulher, Lady Macbeth (Renata), recebe a previsão com entusiasmo e o casal fica obcecado por concretizá-la. “Muita gente os vê como monstros – o que procuro é o que há de frágil, de humano, nesses dois”, diz a atriz.

O texto foi traduzido por Freire-Filho e João Dantas, filho do ator. “Tudo está ali para ser compreendido”, afirma o diretor. “O mistério que resta é o da poesia.” O figurino de Marcelo Pies e o cenário de Fernando Mello da Costa são despojados, e a montagem, contemporânea, como a de Hamlet. Macbeth é a peça mais curta de Shakespeare, mas são três horas de espetáculo, com intervalo de 20 minutos. Freire-Filho diz que lamenta, outra vez, que o autor não possa ver a sua versão. (Leandro Quintanilha)

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