O maior festival (local) de teatro

Estadão

21 de março de 2010 | 11h00

John&Joe_400
Cena de John & Joe, montagem de BH e levado ao Fringe por Chico Pelúcio

Assistir a 5 peças consecutivas no Festival de Curitiba, com mais de 350 espetáculos só na mostra paralela (Fringe), sem ter a sensação de tempo perdido pode ser visto como uma questão de sorte. Encenações de um refinamento delicado como John & Joe, produção de Belo Horizonte (MG), experimentos de jovens ainda em busca de uma linguagem, como Um Pequeno Espaço Líquido, de Curitiba (PR), o musical besteirol divertido de Ópera Atômica – As Sete Caras da Verdade, também de Curitiba, Psicose 4h48, com a atriz veterana Rosana Stavis – mais uma produção local – e, à noite, finalizar a maratona com Música para Ninar Dinossauros, de Mário Bortolotto, de São Paulo, foi uma feliz coincidência para um sábado (20) ensolarado.

Parte deste feito se deve ao fato de que, pela primeira vez – oficialmente –, o Fringe teve alguns espaços separados para espetáculos com curadoria de gente como Chico Pelúcio, do grupo Galpão, no espaço Novelas Curitibanas, e Beto Andretta, fundador da Cia. Pia Fraus, que levou para o Teatro Cleon Jacques trabalhos como A Noite dos Palhaços Mudos, da Cia. La Mínima. Se você está em Curitiba e em dúvida do que escolher para ver fora da Mostra, este é um caminho possível a seguir. No ano passado, algumas curadorias extra-oficiais já aconteciam, a exemplo do Coletivo de Pequenos Conteúdos, produzido pela Cia. Transitória e pelo Teatro de Breque que, neste ano, reuniu 7 montagens – 6 curitibanas e 1 de São Paulo. Outra boa opção para ver o que a cena de teatro alternativo local vem experimentando.

dinossauros_400
Música para Ninar Dinossauros, de Mário Bortolotto

Ficar perdido em um mar de espetáculos não é das experiências mais agradáveis, especialmente se, como diz uma amiga, isto significa subir em um trem fantasma: você entra para levar sustos. Com um festival que se propõe a ser “a celebração das artes cênicas do Brasil”, a aparente preocupação com números parece ser o que fala mais alto. Das 374 peças anunciadas pelo festival (mais 27 da Mostra), 186 são do Estado do Paraná. Destas, 173 são produções da cidade de Curitiba. Um festival, portanto, local – nada contra. Mas uma curadoria mais cuidadosa e empenhada em trazer, de fato, o teatro produzido pelo País, faria bem a todos nós.

Tendências: