Impávido colosso

Estadão

14 de janeiro de 2011 | 13h32

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Em 1996, uma montagem de ‘Ensaio Sobre Danton’, de Georg Büchner, marcou as origens artísticas da Companhia do Latão, fundada no ano seguinte. Desde então, o grupo se firmou, sob a batuta de Sérgio de Carvalho, como um dos principais coletivos de artes cênicas do País, aliando engajamento político e refinamento estético. Ópera dos Vivos, que marca, amanhã (15), a primeira estreia teatral do novo Sesc Belenzinho, é talvez a criação mais ambiciosa do Latão.

Dividido em quatro atos, cada um ligado a uma linguagem – TV, teatro, cinema e música –, o espetáculo transita pelo imaginário político e cultural da história recente brasileira, desde as vésperas do golpe militar de 1964. Em cena, uma reflexão sobre a questão da mercantilização do trabalho artístico nos dias atuais e sua relação com as ideologias. Um ciclo de palestras, oficinas e filmes (como “Aruanda” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”) também integra a programação do Sesc. A ‘Ópera’ confirma a vocação do grupo, cujo trabalho e pesquisa são intrinsecamente ligados ao teatro épico, de voltar os olhos ao passado — como distanciamento — para buscar compreender o presente.

Sesc Belenzinho. Salas de Espetáculo I e II (110 lug.). R. Padre Adelino, 1.000, 2076-9700. Sáb. e dom., 19h. R$ 24. Até 13/3.

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