Espaço privado

Estadão

12 de novembro de 2010 | 18h45

dizer_500.jpg

A peça se passa em um apartamento. Não como cenário, mas como lugar. O espetáculo Dizer e Não Pedir Segredo é encenado na residência de dois atores do grupo Teatro Kunyn. A escolha do ambiente é o mote para uma série de provocações sobre a homossexualidade masculina no Brasil. E não só na vida privada.

No sétimo andar de um prédio antigo da Rua Bela Cintra, o pequeno público de 20 pessoas é recebido pelos próprios anfitriões, com cerveja, refrigerante, pão de queijo, amendoim e jujuba. A entrada grátis reforça a sensação de uma visita. Mas o espetáculo encenado na sala, apesar de alguns momentos de delicadeza, joga com o desconforto. Porque esta ‘festa lá em casa’ trata da violência física e psicológica da homofobia.

O ponto de partida para a concepção do espetáculo é o livro Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan, como explica o diretor Luiz Fernando Marques, o Lube, mais conhecido por seus trabalhos com o Grupo XIX de Teatro. Durante os ensaios, outras influências foram incorporadas, como textos de Adélia Prado e de José Saramago, além de filmes e documentários.

Várias narrativas se entrelaçam ao longo da peça – muitas são focadas na infância, como a de um menino que se apaixona por um colega de escola e a de um garoto que veste as roupas da mãe quando fica sozinho em casa. Há até uma cena em que um Jesus Cristo travestido se despede da mãe, Maria.

Os atores Luiz Gustavo Jahjah, Paulo Arcuri e Ronaldo Serruya participaram da dramaturgia (com Lube e Ivan Kraut). O diretor afirma que nenhuma das histórias foi vivida pelos atores (todos são gays), mas se deixa contradizer: “Como disse Pedro Almodóvar, o que não é autobiográfico é plágio.”

O espetáculo Dizer e Não Pedir Segredo também pode ser apresentado para grupos fechados em outros apartamentos. Como brinca Lube, basta que você se disponha a travestir a sua casa.

ONDE: R. Bela Cintra, 619, apto. 72. QUANDO: 6ª e sáb., 21h. QUANTO: Grátis – reservar antes pelo tel. 8564-4248. A peça também é encenada para grupos fechados, em apartamentos próprios, por R$ 15 por pessoa. Até 4/12.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: