Armazém Companhia de Teatro abre o FIT Rio Preto

Maria Eugênia de Menezes

16 de julho de 2010 | 15h48

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A décima edição do Festival Internacional de São José do Rio Preto foi aberta ontem com o espetáculo Antes, da Armazém Companhia de Teatro, do Rio de Janeiro. Foi a primeira vez, na história do festival, em que uma obra foi criada especialmente para o evento de abertura. Até o dia 24, devem passar pela cidade 39 montagens nacionais e estrangeiras.

À beira da represa do município, a organização do FIT construiu um imenso cenário, que reproduzia as ruínas de um velho teatro abandonado. A estreia, que reuniu mais de 5.000 pessoas, teve ares de grande de grande produção, acompanhada por dezenas de câmeras de TV e fotógrafos.

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A trilha sonora de Antes, executada a vivo e com direito a muitos solos de guitarra, também serviu para reforçar a aura pop que cercou a apresentação. Com montagens premiadas e incensadas pela crítica, a Armazém arriscou-se na preparação de uma peça-relâmpago, montada em pouco mais de dois meses.

Seu enredo gira em torno da figura de um velho ator, morto, que habita os escombros de um teatro. Para retomar a vida do antigo palco, seu espírito invoca um temporal que força três pessoas a buscar abrigo no prédio abandonado. “A ideia do espetáculo é retomar o contato com a potência de nossas primeiras sensações, esses primeiros sentimentos singulares que experimentamos na juventude”, diz o diretor da companhia Paulo de Moraes.

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Ao longo da narrativa, são inúmeras as referências ao teatro. Em solilóquios, cada um dos personagens faz comentários sobre o ato de representar, de tomar emprestadas as falas e os sentimentos de outro e se valem de uma série de diálogos de grandes textos do teatro universal. A famosa passagem de A Tempestade, de Shakespeare, encerrou a apresentação: “Somos feitos da mesma substância dos sonhos e, entre um sonho e outro, decorre a nossa curta existência”.

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