Tony Iommi e o Black Sabbath gravaram riffs que se tornaram a pedra fundamental do heavy metal

Tony Iommi e o Black Sabbath gravaram riffs que se tornaram a pedra fundamental do heavy metal

Heverton Nascimento

04 Dezembro 2016 | 13h25

O Black Sabbath faz neste domingo, em São Paulo, show de sua turnê de despedida. A banda vai encerrar as atividades, ao que tudo indica. Outro fator que certamente contribuiu para o esgotamento dos ingressos é a presença de Ozzy Osbourne, vocalista original do grupo que, após mais de três décadas e uma vitoriosa carreira solo, voltou ao microfone do Sabbath. A formação é quase a ‘clássica’, que gravou os grandes álbuns nos anos 1970. A ausência é do baterista Bill Ward – essas reuniões são sempre cheias de ‘poréns’.

E o Black Sabbath já teve inúmeras formações, contando, inclusive, com os vocais de Ronnie James Dio, umas das maiores vozes da história do rock. Há, inclusive, quem prefira essa fase da banda. Eles tocaram por aqui com esse time nos anos 1990 e foi realmente incrível.

As coisas eram mais ou menos assim:

Muito, muito bom. Mas Ozzy Osbourne tem toda uma relação com a banda que fundou. Ele gravou os discos clássicos e os maiores hits. E fora as histórias extramusicais, que você vê uma parte aqui, ele também teve uma carreira solo prodigiosa, com álbuns gravados com guitarristas referência, como Randy Rhoads, Brad Gillis, Jake E. Lee e Zakk Wylde, sempre procurando alguém à altura do gigante Tony Iommi. (Agora você ouve aquele Mi distorcido e aumentado para Fá com a pressão feita atrás do nut da guitarra, na corda E).

Chegamos ao Iommi. E Bill Ward e Geezer Butler que me desculpem, eles têm importância fundamental naquele peso, mas a alma do Black Sabbath é Tony Iommi, empunhando sua Gibson SG do lado canhoto, usando as carapacinhas de couro nos dedos da mão direita – desde que teve as falanges decepadas numa máquina, quando era operário na Inglaterra dos anos 1950/1960. Pura ironia. Perder as pontas dos dedos direitos, para a maioria dos guitarristas do mundo não seria problema, já que segurar a palheta continua sendo possível. Mas Iommi é canhoto. Os dedos ‘danificados’ ficam justamente no braço da guitarra, fazendo a digitação das notas. Ele resolveu a questão usando pedaços de couro, tirados de um velho casaco, que reza a lenda, está quase acabando, já que Iommi passou os últimos 40 anos renovando as ‘pontinhas’. De qualquer forma, o acidente não foi capaz de impedir a criação de riffs fundamentais para a história do heavy metal. Talvez até tenha contribuído para isso, já que obrigou Iommi a tocar de maneira peculiar. Confira aí três desses momentos.

 

 

 

 

Existem muitos outros riffs no saco de criatividade de Iommi. Dá, facilmente, para fazer uma lista com 15 ou 20 ou 30 músicas em que mostrou que conhece como ninguém os conceitos de riff, peso e, mais importante, a união dos dois. Obrigado Tony Iommi.

Ah, e neste vídeo aí embaixo, mais recente, em que toca com alguns ‘aspirantes a guitarrista’, é possível ver as capinhas pontas dos dedos de Iommi, que ajudam na ‘mágica’ que ele sempre faz quando empunha sua Gibson SG.

 

 

P.S.: E falando em Gibson SG, neste domingo, 4 de dezembro, faz 23 anos que morreu Frank Zappa, outro gigante que empunhou com propriedade esse modelo de guitarra e tem de ser lembrado. Ou melhor, nunca deve ser esquecido. Mas isso é história para outro post…