Allan Holdsworth, um dos maiores gênios da guitarra, morre aos 70 anos

Allan Holdsworth, um dos maiores gênios da guitarra, morre aos 70 anos

Heverton Nascimento

16 Abril 2017 | 23h00

A mensagem postada no Facebook pelas filhas do genial Allan Holdsworth pegou a todos os fãs da guitarra de surpresa. O guitarrista de 70 anos faleceu neste domingo de Páscoa. O aviso postado na rede social não menciona a causa da morte. A comunidade da seis-cordas está de luto no mundo todo. Poucos instrumentistas foram tão importantes para a história da guitarra elétrica quanto Holdsworth.

Com suas frases longas, como um saxofonista de muito fôlego, o inglês encantou gerações.

allan holdsworth

As inversões de acordes são outra marca registrada. Mas que fique claro: não é que Allan usava, como outros, acordes invertidos. ele praticamente criou uma nova linguagem para o instrumento a partir dessas inversões. Criatividade, bom gosto extremo. A internet está cheia de vídeos do cara. É só escolher qualquer um. Dos tempos de Soft Machine, no começo dos anos 1970 ou do UK, no final da mesma década, com Bill Bruford na bateria, John Wetton no baixo, e Eddie Jobson nos teclados. Que time, senhores! Aliás, essa é outra marca na carreira: Allan se cercou dos melhores de cada instrumento. Sempre. E não à toa. Sua música está – há 40 anos – em patamar acima. É – sempre foi – preciso ser do ramo para acompanhá-lo.

Hendrix, Rory Gallagher, George Harrison, Eric Clapton, Eddie Van Halen. Sempre que o nome de um guitarrista diferenciado na história ganhou relevância trouxe consigo outros tantos ‘inspirados’ em seu estilo. Há que chame mesmo de imitadores. Ninguém se atreveu a imitar Allan.

Nos anos 1980, quando o Van Halen estava no auge de sua carreira e mandava soltar e mandava prender na Warner Bros, Eddie Van Halen ‘recomendou’ que a gravadora editasse um disco de Holdsworth, um de seus guitarristas preferidos. Na verdade, Allan está na lista de prediletos de muitos instrumentistas e aqueles que não o relacionam provavelmente ainda não o ouviram.

O disco lançado pela Warner é ‘Metal Fatigue’. Um escândalo.

E que sucedia outro disco incrível: Road Games. Na sequência dos anos 1980, com ‘Atavachron’, Holdsworth se envolveu mais profundamente com o SynthAxe, uma guitarra MIDI de aparência tão estranha quanto a sonoridade que gerava. Há momentos interessantes, mas no geral, Allan é mesmo impressionante quando empunha o instrumento tradicional em suas imensas mãos – com certeza isso ajudou na invenção de acordes com o baixo deslocado algumas casas à frente.

Como dito acima, a obra é extensa e cheia de momentos brilhantes. O termo ‘gênio’, que a prudência recomenda sempre ser usado com moderação, cabe perfeitamente. E se alguém ouvir qualquer um desses trechos e não perceber isso, acredite, o problema não está na obra. É só uma questão de compreensão.

Holdsworth é um vasto acervo de pérolas aos que apreciam os longos solos, bem ao estilo ‘saxofonista de pulmão prodigioso’. Timbre próprio, fluência inimaginável e as famosas ‘quatro notas por corda’. Influenciou a todos que depois dele vieram. E continuará a fazê-lo após sua morte. Sempre.

Adeus, gênio!