Vietnã: uma guerra ao vivo, em cores e com trilha sonora.

Dentro de poucas semanas, mais precisamente no dia 30 de abril, os meios de comunicação deverão dedicar espaço a uma efeméride trágica: os 40 anos do fim da guerra do Vietnã. O maior conflito armado do século 20 pode ter matado de dois a cinco milhões de pessoas, entre civis e militares. Nele os Estados Unidos estiveram envolvidos por mais de dez anos e dele saíram derrotados. O horror da guerra frequentou a TV nos lares americanos e inspirou músicos a compor uma vasta trilha sonora, do folk ao country, do rock ao clássico.

Carlos de Oliveira

05 de fevereiro de 2015 | 13h25

O próximo dia 30 de abril vai marcar os 40 anos do fim da guerra do Vietnã, o maior e mais longo conflito armado do século 20, com um saldo ainda impreciso de mortos. Depois de quatro décadas, o número de vítimas fatais pode variar de dois a cinco milhões, entre civis e militares, dependendo da fonte consultada.

Vietnã: a guerra matou de dois a cinco milhões de pessoas e inspirou artistas em seus protestos.

Contracultura – Ao todo, a guerra durou 20 anos (1955-1975). A escalada norte-americana no Sudeste Asiático, contudo, começou em 1963, com a morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson, consolidando-se a partir de 1965. Ao longo desse tempo, o country, o folk e o rock politizaram-se. A música de protesto ganhou as universidades, as manifestações, os festivais e até as paradas de sucesso. Espalhou-se pelo mundo e criou uma tendência, um estilo, uma estética. Passou a integrar a contracultura.

Além dos Estados Unidos e do Vietnã (na época o do Norte e o do Sul) vários outros países estiveram envolvidos na primeira guerra transmitida pela televisão. As imagens chocaram famílias norte-americanas, estimularam grandes protestos e inspiraram cineastas, poetas e músicos de todas as tendências e formações. A guerra do Vietnã gerou uma trilha sonora pesada, cortante, feroz e é desse aspecto do conflito que vamos tratar.

O Creedence Clearwater Revival criticou privilégios.

Muitos desses artistas protestaram com algum conhecimento de causa. John Fogerty e Doug Clifford, respectivamente guitarrista/vocalista e baterista do Creedence Clearwater Revival serviram no exército americano entre 1966 e 1967. Segundo eles, filhos de gente influente como militares e políticos conseguiam escapar do serviço militar e, por consequência, da guerra. Compuseram Fortunate Son e foram bem explícitos na letra.

 Veja trecho:

Some folks are born made to wave the flag,

ooh, they’re red, white and blue.

And when the band plays “Hail To The Chief”,

oh, they point the cannon at you, Lord.

It ain’t me, it ain’t me,

I ain’t no senator’s son,

It ain’t me, it ain’t me,

I ain’t no fortunate one, no.

Ou:

Alguns nasceram para agitar a bandeira

Ooh, elas são vermelhas, brancas e azuis

E quando a banda toca “Saudação ao Chefe”

Oh, eles apontam os canhões para você, Senhor.

Esse não sou eu,

esse não sou eu,

Eu não sou filho de senador, não.

Esse não sou eu,

esse não sou eu,

Eu não sou nenhum felizardo, não.

Polêmica – Anos depois, na história não oficial da banda, intitulada Bad Moon Rising, Fogerty diria que baseou a letra da música em David Eisenhower, neto do ex-presidente Dwight Eisenhower e genro do ex-presidente Richard Nixon. Segundo o músico, era o tipo de americano que dificilmente seria mandado ao Vietnã.

Fortunate Son foi lançada em 1969, no álbum Willy and the Poor Boys, e ainda hoje gera polêmica. Em novembro do ano passado, Bruce Springsteen, Dave Grohl e Zac Brown a tocaram na festa do Dia dos Veteranos e foram intensamente criticados por setores conservadores norte-americanos, que consideram a música um insulto a quem lutou no Vietnã.

Ouçam:

 

Na selva – E o Creedence não parou por aí. A banda também gravou Run Through the Jungle, do álbum Cosmo’s Factory, logo relacionada à guerra. John Fogerty disse que a música era, sim, um protesto, mas contra a proliferação de armas nos Estados Unidos. Ele não era contra as armas, já que se dizia um caçador, mas temia a venda indiscriminada delas. Mesmo assim, é difícil não ligá-la à guerra. Vejam trecho:

Whoa, thought it was a nightmare,

Lo, it’s all so true, They told me,

“Don’t go walking slow

‘Cause Devil’s on the loose.”

Better run through the jungle,

Better run through the jungle,

Better run through the jungle,

Whoa, Don’t look back to see.

Ou:

Achei que fosse um pesadelo

Olhe, é tudo tão verdadeiro

Eles me disseram: “Não ande devagar

Pois o Diabo anda solto”.

É melhor correr pela selva

É melhor correr pela selva

É melhor correr pela selva

Não olhe para trás para ver.

Ouçam:

 

Paz e amor – Aí veio o festival de Woodstock, realizado entre os di