Dr. May, um guitarrista no mundo da Lua

Dr. May, um guitarrista no mundo da Lua

Roqueiros são frequentemente associados a gente louca, alienada, inconsequente. Mas as coisas não são bem assim. Brian May, célebre guitarrista do Queen, além de músico virtuoso é um cientista de renome, dono de um PHD em astrofísica pelo London Imperial College, doutor honorário pelas universidades de Hertfordshire, Exeter e John Moore, além de co-autor do livro "BANG! - The Complete History of the Universe". Um astro entre os astros.

Carlos de Oliveira

14 de julho de 2014 | 14h29

Brian May, guitarrista do Queen e doutor em astrofísica: guitarra e diploma nas mãos

O ano era 1970 e Brian Harold May mais um aluno do curso de astrofísica no London Imperial College, caminhando para seu doutorado. Mas conheceu o jovem Farrokh Bulsara, nascido na colônia britânica de Cidade de Pedra, em Zanzibar, hoje parte da Tanzânia. Conheceu também o promissor baterista Roger Meddows-Taylor. Resultado: abandonou os estudos e, juntos, formaram um obscuro trio de rock batizado de Smile. Pouco depois, chegou John Richard Deacon, ou apenas John Deacon,  no baixo.

Agora, a apenas cinco dias de completar 67 anos, o então estudante de 1970 poderá fazer um balanço positivo das transformações que o levaram ao sucesso. Virou Brian May, um dos mais virtuosos guitarristas do rock. Farrokh Bulsara tornou-se Freddie Mercury, de voz potente. Finalmente, o acanhado Smile transformou-se no Queen, que, apesar da morte de Mercury, em 24 de novembro de 1991, ainda reina entre os grandes. Mas hoje não é dia de contar a história do Queen, apenas de destacar facetas surpreendentes de seu guitarrista.

May graduou-se na faculdade e, pouco antes de se dedicar ao seu doutoramento, abandonou os estudos para trilhar 36 anos de sucessos e fama nos maiores e mais exigentes palcos do rock. Apaixonado pela mecânica dos astros e pela criação do universo, no auge de seu sucesso musical decidiu retomar os estudos e, em 2007,  completou seu doutorado em astrofísica no mesmo London Imperial College. Sua tese: “Velocidades radiais na nuvem de poeira zodíaca“.

O livro escrito por Brian, sobre a origem do Universo

Em seu trabalho, um respeitável calhamaço de 48 mil palavras, May buscou convencer uma rigorosa banca de que  planetas e nuvens de poeira em nosso sistema solar orbitam sempre na mesma direção. Foi aprovado e recebeu seu título no Royal Albert Hall. Em parceria com sir Patrick Moore e Chris Lintott, May escreveu o livro “BANG! – The Complete History of the Universe” e fez contribuições regulares para o programa “The Sky at Night”, da BBC.  É doutor honorário nas universidades de Hertfordshire, Exeter (em Devon) e John Moore, de Liverpool.

May em foto recente: cabeleira branca e na ativa

E quem pensa que o hoje respeitável senhor de farta cabeleira branca está apenas distraído, olhado os astros, engana-se. Em plena atividade musical, May cumpre intenso calendário, que pode ser conferido em seu website www.brianmay.com. Brian é autor de músicas de grande sucesso do Queen, entre elas o hino We will rock you e Who wants to live forever, tema do filme Highlander. Por último, para não ser injusto com os demais integrantes do Queen, lembro que Freddie Mercury era formado em desenho, John Deacon é engenheiro eletrônico e Roger Taylor é biólogo.

 

Uma velha senhora de vermelho

A Red Special ou Old Lady: guitarra ícone do rock

Em 1963, o jovem Brian, futuro doutor em astrofísica, sonhava com uma Fender Stratocaster ou com uma Gibson Les Paul, guitarras que seu dinheiro curto não era capaz de comprar. Entre 1966 e 1967, depois de vários estudos, Brian e seu pai, Harold, que entendia muito de eletrônica, construíram artesanalmente a Red Special ou Old Lady, instrumento que se tornou a marca registrada do guitarrista do Queen.

A Old Lady, uma engenhoca semiacústica e de desenho único, foi montada a partir de um toco de mogno, oriundo do pé de uma mesa, com o qual Brian e Harold moldaram o braço do instrumento. O corpo saiu de um centenário pedaço de carvalho, pertencente a uma velha lareira. As ferragens foram feitas por Brian, a partir de molas de motocicleta e até agulha de tricô. Os três captadores da marca Burns Tri-Sonic, com controles individuais, foram comprados no comércio local.

O jovem Brian May, antes da fama

Com a fama do Queen e a necessidade de um som cada vez melhor, a Old Lady passou por reformas e três outros exemplares foram construídos por Greg Fryer, um luthier australiano. Os novos instrumentos foram chamados de John, Paul e George, em homenagem aos Beatles. Hoje, modelos similares às Old Lady são comercializados pela norte-americana Guild, mas sem muitos dos detalhes que tornaram o modelo original um ícone do rock. Vale a pena voltar correndo aos álbuns do Queen e ao inconfundível som da banda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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