Phil Collins volta à cena e anuncia autobiografia

Phil Collins volta à cena e anuncia autobiografia

Baterista do Genesis, a lendária banda inglesa de rock progressivo. Substituto de Peter Gabriel nos vocais do mesmo grupo. Apaixonado pela música negra norte-americana. Um vencedor na cena pop e uma retirada discreta em 2011. Em rapidíssimas pinceladas, essa é a trajetória de Phil Collins no mundo da música. Agora, o inglês nascido há 64 anos em Londres está de volta, não apenas cantando, mas em sua segunda experiência como escritor. Sua autobiografia será lançada em outubro de 2016.

Carlos de Oliveira

13 Outubro 2015 | 20h27

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Phil Collins, 64 anos, está de volta à cena musical e à literatura.

Aos poucos ele foi saindo de cena, deixando para trás uma carreira de grande sucesso como baterista, cantor e até ator. Deixou de vender tantos discos. Em 2011 anunciou sua aposentadoria. Foi se escondendo até virar um quase incógnito, longe das luzes dos palcos e das sessões de estúdios. Tornou-se um recatado senhor de 64 anos, dedicado apenas à família. Mas foi um retiro curto. Philip Charles David Collins, ou apenas Phil Collins, está de volta e agora como escritor. Vai contar sua vida em uma autobiografia.

Já está tudo decidido. O livro estará nas lojas em outubro do ano que vem, tempo suficiente para que Collins organize suas memórias. Certamente sua história vai começar em Londres, mais exatamente no distrito de Chiswick/Hounslow, onde nasceu em 1951.

Collins aos 13 anos, como figurante no filme

Aos 13 anos, como figurante em “A Hard Day’s Night”.

Com os Beatles – Sua ligação com a música deve-se em parte à atividade profissional de sua mãe, uma produtora teatral. Aos cinco anos, no Natal, ganhou uma bateria de brinquedo. Como demonstrava talento com o instrumento, ganhou outra de um tio. Era uma bateria meio improvisada, mas suficientemente razoável para que ele aparecesse em programas infantis da TV e de rádios locais.

Em 1964, aos 13 anos, Collins teve sua primeira experiência com o cinema. Está certo que era uma pontinha boba, ao lado de dezenas de outras crianças histéricas que gritavam na cena final de A Hard Day’s Night, o primeiro longa-metragem dos Beatles.

“Altos e baixos” – Certo de que tem uma vida interessante para ser contada, Collins diz que várias vezes foi convidado a escrever uma biografia. “Nunca senti que era o momento certo. Agora, tendo encontrado o publisher correto, a Penguin Random House, sinto que estou pronto para fazer o registro de minha vida na música, com todos os seus altos e baixos, com todas as histórias a partir do meu ponto de vista, com verrugas e tudo”, disse Collins à revista Rolling Stone.

A Crown Archetype, uma subsidiária da Penguin, cuidará da publicação do livro nos Estados Unidos e o marketing já começou. Tricia Boczkowski, diretora editorial da Crown, disse que a biografia será “inflexivelmente honesta, mostrando um Phil Collins que poucos conhecem”. Na Grã-Bretanha, o livro será publicado pela Century e Ben Dunn, um dos diretores, disse que o material inicial “é simplesmente de tirar o fôlego”.

Nos anos 70, cabeludo, com o Genesis. Baterista, assumiu o vocal com a saída de Peter Gabriel.

Nos anos 70, cabeludo, com o Genesis. Baterista, assumiu o vocal com a saída de Peter Gabriel.

No ano passado, os integrantes do Genesis voltaram a se encontrar em Londres.

No ano passado, os integrantes do Genesis voltaram a se encontrar em Londres.

Genesis – Propaganda e exageros comerciais à parte, a carreira musical de Phil Collins é marcada pelo sucesso. Foi baterista do Genesis, uma das grandes bandas inglesas de rock progressivo. Em 1975, com a saída de Peter Gabriel do grupo, Collins assumiu seu lugar com muita competência, revelando-se um cantor privilegiado. Aos poucos, com a onda progressiva perdendo força, o Genesis foi-se tornando cada vez mais pop e Collins soube como ninguém aproveitar essa transição.

Ouça A Trick of the Tail, de 1976, com o Genesis. Collins estreava como cantor da banda, no lugar de Peter Gabriel:

Ouça In the Air Tonight, sucesso solo de 1981:

Ouça I Cannot Believe It’s True, sucesso solo de 1983:

Fanático pela música produzida pela norte-americana Motow, Collins aproximou-se dos músicos do Earth, Wind and Fire e usou sua seção de metais em várias faixas de Face Value, seu primeiro álbum solo, lançado em 1981, com participações de Eric Clapton e Stephen Bishop. A música In the Air Tonight foi sucesso instantâneo.  Atreveu-se até a regravar Tomorrow Never Knows, dos Beatles. Seu segundo álbum, Hello, I Must Be Going!, foi outro sucesso e I Cannot Believe It’s True tocou no mundo todo.

Prêmios – Seu desempenho como cantor do Genesis e sua carreira solo valeram a Collins sua admissão no Rock and Roll Hall of Fame e um Grammy. Além de Michael Jackson e Paul McCartney, Collins é o único cantor a ter vendido mais de 100 milhões de cópias.

O músico não terá um ghost writer. Ele mesmo vai escrever suas memórias, já que esta não será sua primeira experiência como escritor. Em 2012, ele lançou o livro The Alamo and Beyond: A Collector’s Journey, sobre sua coleção de ítens relacionados à Batalha do Álamo, ocorrida durante a revolução do Texas, em 1836, entre tropas mexicanas e defensores texanos.

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Os álbus

Os álbuns “Face Value” na versão original, em 1981, e a atual, a ser lançada no mês que vem.

Sucesso – O inglês irrequieto não conseguiu ficar longe das atenções por muito tempo. Sua “aposentadoria” durou menos de três anos. De 2014 até hoje ele já cantou na escola de seus filhos, em Miami. Em Londres, reuniu-se com os integrantes originais do Genesis e, em pouco mais de 15 dias, vai relançar os álbuns Face Value e Both Sides, com fotos atuais nas capas. Não será fácil livrar-se do sucesso.