Parabéns, George Martin. O ‘quinto beatle’ faz 89 anos.

Parabéns, George Martin. O ‘quinto beatle’ faz 89 anos.

George Martin, o produtor que deu alma às composições dos Beatles, completa 89 anos, dos quais pelo menos 60 foram dedicados exclusivamente à música. Nascido de família humilde no norte de Londres, estudou piano sozinho. Só teve educação musical formal entre 1947 e 1950, quando formou-se em piano, oboé e regência. Sempre qualificou de "besteira" o título de "o quinto beatle", preferindo creditar o sucesso da banda ao talento de seus integrantes.

Carlos de Oliveira

03 Janeiro 2015 | 20h46

George Martin com Ringo Starr: o

George Martin com Ringo Starr: o “quinto beatle” completa 89 anos.

Nunca tantos deveram tanto a um só homem. Com a devida vênia de sir  Winston Churchill, tomar e adaptar um pouquinho sua célebre frase (*), neste caso específico, certamente não constituirá heresia. Afinal, vai-se falar de um outro inglês, de um outro sir. Neste mesmo 3 de janeiro, há 89 anos, nascia George Henry Martin. O título de sir viria bem depois. Antes, ele seria conhecido por um outro título, o de “quinto beatle”. O produtor, músico e maestro George Martin é o homem a quem muitos devem. Musicalmente falando, é claro. E muito mais.

(George Martin e os Beatles contam como foi a gravação de Please, Please Me, o primeiro álbum da banda e como essa música, que nasceu quase dramática, se converteu em rock e em sucesso.) Ouçam:

Autodidata – Sua infância muito humilde em Holloway, norte de Londres, em princípio, não era de todo promissora para a música. O pai era carpinteiro e o pequeno George nunca teve a oportunidade de estudar partituras, pelo menos formalmente. Ocorre que o garoto era curioso e persistente.  Na juventude, passou a estudar música sozinho, sem mestre. Um autodidata. E foi assim que ele aprendeu a tocar piano, aos 16 anos.

Martin sempre rejeitou o título de

Martin sempre rejeitou o título de “quinto beatle”, qualificando-o de “besteira”. Ele sempre creditou o sucesso da banda ao talento de seus músicos.

Sua educação musical formal veio depois, entre 1947 e 1950, na Guildhall School of Music and Drama, formando-se em piano, oboé e regência, o que logo lhe valeu um emprego no setor de música clássica da BBC, um trampolim para a EMI, em 1950. Doze anos depois ele iria conhecer quatro jovens músicos do norte da Inglaterra, de Liverpool, e iria conduzi-los à fama.

“Inventor de sons” – Os Beatles, claro, eram talentosos, criativos, inventivos e, sobretudo, curiosos. A cada pedido maluco de McCartney, Lennon ou Harrison, George Martin descabelava-se um pouco mais. Ele foi a pessoa que soube transformar em realidade as maluquices de seus rapazes. Ele inventou sons, climas sonoros, vozes alteradas, tudo isso em mesas de som de apenas quatro canais, numa engenharia revolucionária para os padrões da época, especialmente numa gravadora ortodoxa como era a EMI.

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George Martin dava atenção a cada um dos quatro beatles em suas gravações, tentando transformar em realidade seus desejos musicais. Aqui, com George Harrison.

Martin lennon

Com John Lennon…

Paul McCartney George Martin

Com Paul McCartney…

With A Little Help From My Friends

Com Ringo Starr…

Músicas de Lennon e McCartney que nasceram melosas e lentas, viravam rock bem marcados. Com a ajuda do engenheiro de som Geoff Emerick,  talvez um sexto beatle, Martin deu a John a  reivindicada “voz de Dalai Lama cantando no alto de uma montanha”, em Tomorrow Never Knows.

Tinha apreço por George Harrison, que muitas vezes não tinha a colaboração dos demais beatles na gravação de suas composições.

Trocou Ringo – Com Ringo Starr foi diferente. Por algum tempo, o baterista alimentou uma certa mágoa com Martin, mais tarde superada. Na primeira gravação dos Beatles, o hoje clássico Love me Do, Martin tirou Ringo da bateria e pôs em seu lugar um baterista de estúdio. Ringo teve de se contentar em ficar num canto do estúdio, tocando apenas um pandeirinho.

Martin achava que Ringo Starr, um baterista de certa fama em Liverpool, não estava à altura de seus colegas de banda e que, por isso, não deveria integrar os Beatles. Mais tarde, penitenciou-se e elevou Ringo ao posto de um dos melhores bateristas do mundo.

Camaleão – Impressionou a maneira como Martin integrou-se bem ao som do pop e do rock, já que sua formação, antes dos Beatles, era bem  mais erudita, clássica, nos estúdios da EMI. Provavelmente, suas composições de músicas mais populares para filmes estrelados por Peter Sellers, o impagável comediante inglês, tenham contribuído para essa adaptação. Na verdade, o trabalho com os Beatles fizeram o produtor evoluir musicalmente, virar uma espécie de camaleão, como ele mesmo já admitiu.

Tanto é assim, que George Martin não estacionou nos Beatles. Entre outros músicos, ele produziu Jeff Beck, America, Earth, Wind and Fire, Linkin Park, Elton John, o tenor espanhol José Carreras e o guitarrista John McLaughlin.

Happy Birthday – Se os quatro Beatles ainda estivessem por aí, juntos, muito provavelmente mandariam e-mails de felicitações ao velho produtor. Um deles é possível que fosse este:

(*) A frase original de Winston Churchill é: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Ela foi proferida em 20 de agosto de 1940, no Parlamento inglês, em homenagem aos pilotos britânicos que lutavam nos céus da Inglaterra contra a força aérea nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.