Na casa do Ursinho Pooh, a morte mais misteriosa do rock.

Na casa do Ursinho Pooh, a morte mais misteriosa do rock.

Há 46 anos, o guitarrista Brian Jones, fundador dos Rolling Stones, foi encontrado morto no fundo da piscina de sua casa, em East Sussex, na Inglaterra, em circunstâncias misteriosas. Até hoje pairam dúvidas sobre a causa de sua morte. Oficialmente ela foi creditada a uma overdose seguida de afogamento. Entretanto, há defensores da tese de que Jones tenha sido assassinado. Não bastasse o mistério, há também uma ironia nisso tudo. A casa de Jones pertenceu antes ao escritor Alan Alexander Milne, criador do Ursinho Pooh, de quem o músico era fã incondicional.

Carlos de Oliveira

03 Julho 2015 | 17h59

O rock and roll já viu muitas mortes, mas poucas tão misteriosas como a de Lewis Bryan Hopkin Jones, ou apenas Brian Jones, guitarrista e fundador dos Rolling Stones. Há 46 anos, no dia 3 de julho de 1969, um mês após ter sido demitido da banda por incompatibilidade de objetivos, ele foi encontrado morto no fundo da piscina de sua mansão, a Cotchford Farm, em East Sussex, Inglaterra. Mistério. E ironia também. Essa mesma casa havia pertencido ao escritor Alan Alexander Milne, criador do inofensivo e doce Ursinho Pooh, um dos heróis de Jones.

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Fundador dos Rolling Stones, Brian Jones rendeu-se às drogas e foi demitido da banda. Morreu em circunstâncias misteriosas há 46 anos.

Versões – O músico tinha apenas 27 anos. Sua curta história de vida foi marcada por uma reconhecida competência musical, pela extravagância e pelo abuso de álcool e de drogas. Causa oficial da morte: overdose seguida de afogamento. Causa oficiosa (e especulativa) da morte: assassinato, que teria sido cometido pelo mestre de obras de sua casa, Frank Thorogood. Nada ficou provado até hoje, embora poucos deem crédito a essa segunda versão.

Seja como for, uma primeira contradição surgiu logo após a confrontação do laudo policial com a autópsia de Jones. O primeiro documento afirmava que o músico havia morrido de uma overdose de anfetaminas e barbitúricos, associada a excesso de álcool. O relatório dos legistas, por sua vez, não apontou entorpecentes no sangue de Jones, embora ele tivesse bebido um litro e meio de cerveja pouco antes de morrer.

Livro – No ano passado, para marcar os 45 anos da morte de Jones, o autor Tarry Rawlings atualizou seu livro Brian Jones: Who Killed Christopher Robin?, de 1994reforçando a tese do assassinato. Ainda em 2014, insistiu no tema em edição da revista britânica Mojo. Lembrou que Joan Fitzsimons, namorada de Thorogood, sofreu uma tentativa de homicídio três semanas após a morte de Jones. Segundo Rawlings, Joan teria testemunhado o assassinato e registros policiais indicariam sua disposição de depor contra o namorado. Tanto Joan quanto Thorogood já morreram. Ele, em 1994. Ela, em 2002. Nada até hoje ficou provado, embora tenha circulado a versão de que Thorogood teria confessado o crime a sua filha, pouco antes de morrer. De certo mesmo, só o mistério.

Ao lado de George Harrison, dos Beatles, Jones foi um dos pioneiros na utilização de instrumentos indianos no rock.

Ao lado de George Harrison, dos Beatles,  Brian Jones foi um dos pioneiros na utilização de instrumentos indianos no rock.

As lendas que cercam os Rolling Stones contam que Brian Jones, no fim dos anos 60, estava profundamente mergulhado nas drogas, o que estaria comprometendo seu desempenho como músico e, por tabela, o trabalho da banda. Foi demitido e caiu em depressão, tornando-se cada vez mais dependente da química e da bebida. Entrou em colapso e, muito provavelmente, o ostracismo levou-o à morte precoce.

Fundador  – Era bom músico, mas pouco compunha. Multiinstrumentista, tocava da guitarra ao saxofone, passando pelos teclados, gaita, gaita de fole, flautas, harpa, trompete, banjo, oboé e cítara indiana, entre outros. Tocou sax com o Beatles, na gravação de  You Know my Name (Look Up The Number), no dia 8 de junho de 1967.

Deve-se a Jones a formação dos Rolling Stones. Em 1962 ele convidou os amigos Mick Jagger e Keith Richards para formar uma banda. Era grande apreciador de blues em geral e de Muddy Waters em particular, retirando da canção Rollin’ Stone o nome para seu grupo. Demitido em 1969, foi substituído pelo guitarrista Mick Taylor, que também deixou os Stones. Hoje seu lugar é ocupado por Ron Wood.