Há meio século Dylan gravava sua eterna ‘Like a Rolling Stone’

Há meio século Dylan gravava sua eterna ‘Like a Rolling Stone’

Há exatos 50 anos, Bob Dylan gravava um dos hinos dos anos 60. "Like a Rolling Stone" permanece tão nova quanto no dia de sua gravação, em 16 de junho de 1965. Poucas semanas depois, ela chegava ao segundo lugar nas paradas americanas, superada apenas por "Help", dos Beatles. A música mais marcante de Dylan teria sido escrita de um único fôlego, para expressar seu "ódio constante". Em 2014, o manuscrito foi vendido por US$ 2 milhões.

Carlos de Oliveira

16 de junho de 2015 | 17h31

No dia 16 de junho de 1965, há exatos 50 anos, Bob Dylan entrava no estúdio A da Columbia Records, em Nova York, para gravar “a maior canção de todos os tempos” segundo muitos críticos, o clássico Like a Rolling Stone. Talvez haja músicas melhores ou tão boas quanto. Seja como for, trata-se de um importante marco na carreira de Dylan. Com ela, o neto de judeus russos chamado Robert Allen Zimmerman deixou de ser um bom e já reconhecido cantor folk para se transformar num dos maiores (talvez o maior) poeta do rock. Depois dela, nenhum roqueiro seria mais o mesmo.

Bob Dylan no estúdio A da Columbia Records, em 1965, durante as gravações de Like a Rolling Stone.

Dylan no estúdio A da Columbia Records, em 1965, durante a gravação de Like a Rolling Stone.

“Ódio constante” – Meses antes, Dylan estava em uma longa excursão pela Europa, relatada no documentário Don’t Look Back, de D.A. Pennebaker. Sua Subterranean Homesick Blues tocava em todas as rádios e o jovem cantor de músicas de protesto fazia sucesso. Numa das várias e breves paradas ao longo da turnê, Dylan passou a escrever freneticamente em um pedaço de papel, numa empolgação que ele comparou a um “acesso de vômito”.  Uma nova e longa poesia estava em produção. “Foi apenas ritmo no papel, tudo sobre meu ódio constante “, explicou ele mais tarde.

De regresso aos Estados Unidos, Dylan continuou a trabalhar na letra. Em 15 de junho, com sua banda da época, começou a selecionar temas para o álbum Highway 61 Revisited. Durante os ensaios, apresentou um esboço do que seria Like a Rolling Stone. Era uma versão bem mais lenta, que pode ser ouvida no primeiro volume de The Bootleg Series. Terminada a sessão, cada músico pôde voltar para casa com uma boa ideia de como desenvolver aquele tema.

Ouça Like a Rolling Stone, numa versão dos Rolling Stones. Nada mais adequado:

Organista – No dia seguinte, o produtor Tom Wilson apareceu no estúdio com o músico e compositor All Kooper (criador do Blood, Sweat and Tears), apresentando-o ao resto da banda. Kooper era apenas um convidado, mas suas intenções iam um pouco além. Trouxe sua guitarra, afinou-a, ligou-a e ficou por ali à espera. Pouco depois, chegou o guitarrista de Dylan, Mike Bloomfield, que começou a tocar. “Nunca ouvi nada tão bom em toda a minha vida. Desliguei minha guitarra e imediatamente e fui sentar na sala de controle, fingindo ser um repórter da revista Sing Out“, escreveu Kooper em seu livro Backstage Passes and Backstabbing Legends, de 1998.

Mas a vontade de gravar com Dylan não passava e Kooper, que não sabia tocar órgão muito bem (“sequer sabia ligá-lo”), jogou todas as suas fichas numa derradeira investida. Aproveitando que o pianista e organista Paul Griffin deixara seu instrumento ligado, Kooper entrou no estúdio e passou a tocá-lo. Dylan gostou do que ouviu e o poderoso som do órgão Hammond passou a ser uma das marcas principais da canção.

Seis minutos – A música foi lançada como single em 20 de julho, dias antes do Festival de Newport, no qual o até então acústico Bob Dylan eletrificou-se, apresentando-se com uma guitarra Fender Stratocaster. Foi execrado por isso, mas sua nova música logo subiu nas paradas de sucesso norte-americanas, atingindo o segundo lugar, sendo superada apenas por Help, dos Beatles.

O bom desempenho do single surpreendeu a Columbia Records, que não apostava em uma música com seis minutos de duração e tão diferente das demais canções de Dylan. Like a Rolling Stone é um dos hinos dos anos 60 e a música mais marcante de Dylan. No ano passado seu manuscrito original foi vendido por mais de US$ 2 milhões. Nada ruim para uma canção tida como de protesto.

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