Em doze compassos, a vida e a música de Eric Clapton.

Em doze compassos, a vida e a música de Eric Clapton.

A vida e a música de Eric Clapton dão origem ao documentário "Eric Clapton: A Life in 12 Bars", dirigido por Lili Fini Zanuck. O filme, ainda sem previsão de lançamento, vai abordar as várias fases da vida do guitarrista, cantor e compositor inglês, com base no vasto acervo de som e imagem que colecionou ao longo de sua carreira. Às vésperas de completar 72 anos e sofrendo de uma neuropatia incurável que compromete sua relação com a guitarra, Clapton acaba de postar em sua página no Facebook um curto solo de violão em homenagem a John Wetton, ex-baixista do King Crimson e do Asia, morto no último dia 31.

Carlos de Oliveira

07 de fevereiro de 2017 | 15h04

A data de lançamento ainda não está definida, mas já está em produção o documentário Eric Clapton: A Life in 12 Bars, sobre a vida e a música do lendário guitarrista inglês, que no dia 30 de março completa 72 anos. O título da obra, dirigida por Lili Fini Zanuck (Rush, de 1991) é uma referência aos doze compassos (12 bars) que compõem a estrutura do blues tradicional, gênero ao qual Clapton se dedica desde o início de sua carreira, nos anos 60.

Às vésperas dos 72 anos, Eric Clapton terá um documentário sobre sua vida e música.

Às vésperas dos 72 anos, Eric Clapton terá um documentário sobre sua vida e música.

Acervo – Material não vai faltar para a produção do filme. Clapton franqueou todo o seu acervo de imagens, entre clipes, fotografias, além de manuscritos, letras de músicas, partituras, desenhos, diários, posters de seus concertos e uma série de outros elementos.

Lili Zanuck tem boas credenciais. Além de Rush,  ela co-produziu filmes como Conduzindo Miss Daisy e Cocoon em parceria com seu marido, Richard Zanuck. Sua relação com Clapton é antiga, já que produziu o Eric Clapton & Fiends in Concert, evento cujo objetivo foi arrecadar fundos para o Crossroads Centre, clínica de reabilitação de dependentes químicos que o músico mantém na ilha de Antígua, no mar do Caribe.

“Inquieto” – Em comunicado à imprensa divulgado há poucos dias, Lili Zanuck afirmou que “a música de Clapton é a base do filme. Seu compromisso com o blues, suas tradições e pioneiros é absoluta desde seus primeiros dias como músico reconhecido. Clapton sempre esteve inquieto na busca de um veículo adequado para dar forma e fazer crescer sua voz artística, muitas vezes surpreendendo fãs e a mídia com mudanças súbitas na direção de sua música, na formação de suas bandas, composições, estilo de guitarra, tonalidades e aparência física.”

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Os vários

Os vários “Claptons”, da infância à maturidade (e com o filho Conor, morto em 1991).

Segredos – O documentário não deixará de lado os aspectos pessoais da vida de Clapton, menino nascido em Ripley, no Surrey, sul da Inglaterra. Em 1944, em plena guerra, Patricia, sua mãe, aos 15 anos conheceu o piloto da Força Aérea do Canadá, Edward Fryer, de quem engravidou. Eric nasceu cercado em segredos. Não conheceu o pai e foi criado pelos avós Rose e Jack Clapp. Até os nove anos, pensava que Patricia era sua irmã mas velha.

“Deus” – Considerado “God” na cena musical londrina dos anos 60, Clapton deu sobrevida ao blues, então um gênero musical quase moribundo, consolidando-o em bandas antológicas como Yardbirds, John Mayall & the Bluesbreakers, Cream e Blind Faith. Tocou a guitarra solo em While My Guitar Gently Weeps, de George Harrison, no Álbum Branco, dos Beatles.

A dependência das drogas e do álcool levaram Clapton a uma fase de decadência física e ao ostracismo musical. Em 1991, em Nova York, de certa forma testemunhou a morte de seu filho Conor, de cinco anos, que despencou do 52º andar do edifício em que morava com a mãe. Hoje, limpo das drogas há anos, Clapton chegou a anunciar que pararia de se apresentar ao vivo.

Ouçam George Harrison, Eric Clapton e uma banda de peso tocando While My Guitar Gently Weeps:

Neuropatia – O motivo: o guitarrista revelou que sofre de uma doença incurável que lhe provoca danos irreparáveis em seu sistema nervoso. Em entrevista ao Daily Mail e o The Telegraph, Clapton disse que luta para tocar sua guitarra. “Tive muitas dores ao longo do último ano. Começou com dores nas costas que progrediram para uma neuropatia periférica. Hoje sinto como se levasse choques elétricos que correm por baixo de minhas pernas”, disse Clapton à revista Classic Rock.

Segundo Lili Zanuck, apesar das passagens melancólicas, a vida de Clapton “sempre foi cheia de mitos, sempre musicalmente potente, sempre olhando para o futuro. Apesar de seu caminho estar cheio de tragédias, vícios e perdas, Clapton nunca deixou de recuperar o rumo e de servir àquilo que mais quer e ama: sua música.”

Ouça o tributo de Eric Clapton a John Wetton, ex-baixista do King Crimson e do Asia, morto no último dia 31:

Tributo – Na semana passada, poucas horas depois do anúncio da morte de John Wetton, ex-baixista do King Crimson e do Asia, Clapton postou um triste solo de guitarra acústica em sua página no Facebook. Intitulada Para John W, a peça de apenas um minuto e 35 segundos foi um tributo semelhante ao que prestou a seu antigo companheiro de Cream, o baixista Jack Bruce, que morreu em 2014. Por ora, aos fãs de Clapton resta aguardar o lançamento do documentário.

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