Com o álbum “57th & 9th”, Sting deixa o alaúde e retorna ao rock’n’roll.

Com o álbum “57th & 9th”, Sting deixa o alaúde e retorna ao rock’n’roll.

Está para ser lançado o novo álbum de Sting. O músico inglês, ex-Police, deixa um pouco de lado seus alaúdes e sua vocação para menestrel e retoma sua relação com o rock'n'roll. Gravando em Nova York, ele reuniu um pequeno grupo de músicos e mostra-se preocupado com os movimentos migratórios na Europa e com as mudanças climáticas. Intitulado "57th & 9th", o disco leva o nome de um cruzamento de avenidas em NY.

Carlos de Oliveira

19 Julho 2016 | 19h19

Vivendo em Nova York há algum tempo, Sting passa todos os dias pelo cruzamento da 57ª com a  avenida a caminho do estúdio onde grava seu novo disco. O cruzamento passou a influenciar de tal modo sua rotina de trabalho que o músico inglês decidiu dar ao LP o nome de 57th & 9th, ainda sem data para ser lançado. Mesmo assim, os trabalhos estão adiantados e seguem em ritmo acelerado, como bem deve ser um disco dedicado ao rock. Depois de anos, Sting deixa o menestrel de lado reabilita seu lado Police.

Sting: novo disco a caminho, com ênfase no rock'n'roll. O título,

Sting: novo disco a caminho, com ênfase no rock: “57th & 9th”, é um dos cruzamentos de NY.

“Este não será um álbum de alaúde”, numa referência a Songs From the Labyrinth, de 2006, ou a If On a Winter’s Night, de 2009. “É mais rock do que qualquer outra coisa. Este álbum é uma espécie de omnibus de tudo o que eu faço. Estou muito feliz e quero colocar uma vela nesse barco e ver como ele vai navegar”, afirmou.

Em 2009, Sting lançou o álbum

Em 2009, Sting lançou o álbum “If On A Winter’s Night”, com canções de natal tradicionais inglesas e gaélicas.

Maratona – A analogia com um barco talvez se deva ao musical The Last Ship, de 2014, que Sting não apenas escreveu mas atuou e é baseado na sua infância numa Inglaterra do pós-guerra. O músico tem estado em intensa produção nos últimos anos, podendo-se citar o álbum de canções natalinas, de 2009; o Symphonicities, de 2010; além da maratona de apresentações do Police, entre 2007 e 2008. Ao mesmo tempo em que grava 57th & 9th, Sting e Peter Gabriel apresentam o Rock, Paper, Scissors Tour, atualmente na sua fase norte-americana.

Ouça “Christmas At Sea”, um poema de Robert Louis Stevenson musicado por Sting e gravado no álbum “If On a Winter’s Night”, de 2009, na sua fase menestrel. A refrão é cantado em gaélico escocês.

Encerrada a temporada de The Last Ship na Brodway, Sting teve um breve período de inatividade e no início do ano acatou o conselho de Martin Kierszenbaum, seu novo manager: reservou um estúdio em Nova York e  reuniu um pequeno grupo de músicos. Para a bateria chamou Vinnie Colaiuta, que já tocou com Sting inúmeras vezes. Para a guitarra, outro parceiro de longa data: Dominic Miller, guitarrista virtuoso nascido em Buenos Aires. Para completar o grupo, os músicos Jerry Fuentes e Diego Navaira, dos The Last Bandoleros, banda Tex-Mex de San Antonio, Texas.

Por impulso – O disco está sendo feito um pouco a cada dia, no estúdio. Segundo Kierszenbaum, Sting costuma chegar sem nada preparado e escreve tudo na hora, com os músicos já no estúdio. “Isso aumenta um pouco a tensão, pois tempo custa dinheiro. De qualquer forma, a maior parte do material foi composta e gravada na base do impulso, em um ou dois takes. Não me lembro de ver Sting tão rock’n’roll desde Synchronicity”, disse Kierszenbaum.

Ouça “Synchronicity II”, de 1983, com o Police. Novo álbum de Sting revisita o lado rock’n’roll da banda.

Boa parte do álbum 57th & 9th tem a ver com imigração. A faixa Inshallah (se Deus quiser em árabe) conta a história de refugiados viajando pela Europa. As mudanças climáticas também fazem parte das preocupações de Sting e estão contempladas na faixa One Fine Day. Segundo Sting, em pouco tempo “o maior motor da imigração será o clima e milhões de pessoas estarão procurando lugares mais seguros para viver”.

“Nossos ícones” – Outro destaque do álbum é a canção 50.000, uma balada que Sting escreveu na semana da morte de Prince. “A morte nos faz levantar a cabeça, especialmente  alguém da minha idade. Tenho 64 anos. Essa música é um comentário sobre como ficamos chocados quando um dos nossos ícones morre. Prince, Bowie, Glenn Frey, Lemmy são nossos deuses. Quando eles morrem, temos de questionar a nossa mortalidade.”