Tem Beatles no som dos Stones (e vice-versa)

Tem Beatles no som dos Stones (e vice-versa)

Quem já foi um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones deve se lembrar das lendas que envolviam as duas maiores bandas de rock do mundo. Os Beatles eram os mocinhos certinhos e bonitos. Os Stones eram os bad guys, os rapazes feiosos e de poucos amigos. Puro jogo de marketing. Tanto os quatro Beatles como os cinco Stones eram camaradas e se ajudaram durante boa parte da carreira.

Carlos de Oliveira

04 de agosto de 2014 | 08h22

John Lennon (esq.) e Mick Jagger (centro) tocam durante gravação em estúdio

Ao contrário do que sempre se pregou no mundo pop, os quatro beatles e os cinco stones nunca foram rivais. Mais do que amigos, foram cúmplices musicais e até se ajudaram na gravação de seus álbuns. Isso mesmo, beatles participaram de discos dos Stones e vice-versa. A rivalidade ficava por conta de campanhas de marketing ou de garotos que juravam fidelidade a uma ou outra banda. A realidade era bem distinta.

Em outubro de 1962, os Beatles lançavam seu primeiro disco, Love Me Do, de sucesso instantâneo. No mesmo ano, os Rolling Stones se apresentavam pela primeira vez em público, no Craw Daddy, uma casa de blues e R&B em Richmond, condado de Surrey. Se os Beatles tinham o Cavern Club, em Liverpool, os Stones tinham o Craw Daddy, na região metropolitana de Londres, onde nasceu Eric Clapton. As duas bandas costumavam se encontrar no clube, nascendo aí a amizade entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr, Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Charlie Watts e Bill Wyman.

Mais do que amigos, viraram colaboradores. Brian Epstein era empresário dos Beatles. Seu amigo Andrew Oldham, dos Stones. Quando Mick Jagger e os outros rapazes quiseram uma música para fazer sucesso nas paradas, ganharam I Wanna Be Your Man, de Lennon e McCartney. A música também foi gravada pelos Beatles, no álbum With the Beatles, de 1963, cantada por Ringo. Veja o vídeo com os Stones: 

Daí em diante, a vida pessoal e profissional dos Beatles e dos Rolling Stones seria pontuada por vários encontros. Para não prejudicar nem uma nem outra, as bandas chegaram a combinar as datas de lançamento de seus álbuns, segundo informa edição especial sobre os Beatles, produzida pela revista britânica Mojo. Brian Jones, guitarrista base dos Stones, arriscou-se na cítara indiana, instrumento apresentado ao mundo pop pelo beatle George Harrison. O mesmo Jones participou do backing vocal em Yellow Submarine, do álbum Revolver, lançado em 5 de agosto de 1966.

No ano seguinte, os Beatles lançariam seu mais espetacular álbum, o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band. A gravação da parte orquestrada de A Day in The Life, um caos sonoro gravado em espaço de fita correspondente a 24 compassos, foi um happening promovido por John Lennon nos estúdios da EMI. Tanto Mick Jagger quanto Keith Richards foram convidados, todos com chapéus de aniversário. Na gravação ao vivo de All You Need Is Love, Jagger juntou-se ao coro. Vale lembrar que na capa de Sgt. Peppers, os Beatles colocaram um personagem com a seguinte inscrição na blusa: Welcome The Rolling Stones. Em retribuição, os Stones colocaram na capa do álbum Their Satanic Majestic Request as fotos dos quatro beatles, bem pequenas, em meio a flores e outros motivos psicodélicos

John Lennon e Mick Jagger no “happening” promovido durante a gravação de orquestra em “A Day in The Life”.

Yoko Ono, Brian Jones, John Lennon e Julian Lennon

Paul e Mick nos estúdios da EMI, em Londres.

Mick e John brincam ao piano

Na verdade, Their Satanic Majestic Request, também de 1967, foi a resposta dos Stones ao Sgt. Peppers. John e Paul participaram dos backing vocals de We Love You (veja o vídeo abaixo), lançada como um single, tendo Dandelion no lado B. Mais: a revista Mojo lembra que, ainda em 1967, Brian Jones tocou saxofone em You know My Name (Look Up The Number) e que Jagger cantou o refrão de Baby Your A Rich Man com John e Paul. 

Em dezembro de 1968, os Stones produziram o filme Rock and Roll Circus. Num picadeiro por onde desfilaram vários astros do rock, John Lennon cantou Yer Blues, do Álbum Branco, com a Dirty MaC, banda improvisada por Lennon, Eric Clapton, Mitch Mitchell (baterista de Jimi Hendrix)  e o stone Keith Richards no baixo. Veja o vídeo:


Por isso, de agora em diante, toda e qualquer rivalidade entre fãs de Beatles e dos Stones será pura bobagem. O melhor a fazer e curtir a música deixada pelos rapazes de Liverpool e pelo rock ainda feito por Mick Jagger e seus bad boys.

 

A vida e morte dos Brians

 

Andrew Lancel (esq.) e Will Finlason em “O Homem que Fez os Beatles”

Cartaz da peça “O Homem que Fez os Beatles

Por falar em Beatles, acaba de reestrear no Leicester Square Theatre, em Londres, a peça The Man Who Made The Beatles (O Homem que Fez os Beatles), sobre a vida do empresário da banda, Brian Epstein, vítima de overdose em 1967, aos 32 anos. Escrita por Andrew Sherlock e dirigida por Jen Heyes, a peça, na verdade um jogo multimídia, com música ao vivo, teve sua primeira estréia em novembro 2012, em comemoração aos 50 anos dos Beatles. Epstein é interpretado por Andrew Lancel. Will Finlason faz o personagem fictício This Boy.

Brian Jones, guitarrista dos Stones

Outro Brian em foco é o Jones, ex-guitarrista base dos Rolling Stones, morto há 45 anos, ainda em circunstâncias misteriosas. Oficialmente, ele teria morrido afogado na piscina de sua casa, depois de ingerir um coquetel de drogas e álcool. Sua autópsia, contudo, não teria apontado a existência de substâncias entorpecentes em seu sangue. Apenas cerveja no estômago. Agora, no livro Brian Jones: Who Killed Christofer Robin?  o autor Terry Rawlings afirma que o ex-Stone teria sido assassinado por seu mestre de obras, Frank Thorogood. Rawlings, em entrevista à revista Mojo, diz que o assassinato foi encoberto até pela banda. A conferir e à espera de novas versões.

 

 

 

 

 

 

 

 

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