Beatlemaníacos do mundo, festejem. Os Beatles estão de volta.

Beatlemaníacos do mundo, festejem. Os Beatles estão de volta.

Os Beatles estão de volta. Desta vez na forma de um documentário intitulado "Eight Days A Week - The Touring Years", com estreia mundial marcada para o dia 15 de setembro, em Londres, e dia16 nas demais praças. A produção foca o período de 1962 a 1966, quando a banda fez cerca de 250 concertos em 18 países. Filmes dos Beatles na estrada, depoimentos, clips caseiros e entrevistas atuais de Paul McCartney e Ringo Starr completam o material reunido junto a arquivos oficiais e de fãs da banda em todo o mundo. Hoje, 46 anos depois de sua separação, a afirmação de que os Beatles são para sempre faz todo sentido.

Carlos de Oliveira

22 de junho de 2016 | 18h17

Pouco importa quem tenha criado o slogan Beatles 4Ever. Pouco importa se foi jogada de marketing ou coisa do tipo. O fato é que essa pessoa – ou empresa – revelou ter dons proféticos. Os 46 anos que separam 1970, ano em que a banda se separou, dos dias de hoje não foram suficientes para anular o fenômeno da beatlemania. Os Beatles permaneceram vivos e surpreendendo com uma música inédita saída de alguma gaveta de Yoko Ono, com um game de computador, com uma antologia, com um álbum novo de Paul McCartney ou de Ringo Starr. Agora, cumprindo-se a profecia, os Beatles estão de volta.

Paul McCartney e George Harrison durante apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show, em Nova York, em 9 de fevereiro de 1964.

Paul McCartney e George Harrison durante apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show, em Nova York, em 9 de fevereiro de 1964: conquista da América.

Com espetáculos marcados em cinemas de todo o mundo a partir de 15 de setembro, em Londres (e 16 de setembro nos Estados Unidos e demais praças), beatlemaníacos das velhas e novas gerações poderão ver como quatro rapazes de uma portuária Liverpool, com sotaques pouco polidos, mas talento de sobra, conquistaram não apenas a Inglaterra dos anos 60, mas o resto da Europa, as Américas, a Ásia e a Oceania, o mundo todo. Nessas datas entra em cartaz o filme Eight Days A Week – The Touring Years, uma produção centrada na fase mais inicial da banda, da época do Cavern Club, em Londres, ao último grande concerto, realizado no dia 29 de agosto de 1966, no Candlestick Park, em San Francisco.

Cartaz do documentário com estreia mundial marcada para 15 de setembro e distribuição geral no dia 16.

Cartaz do documentário com estreia mundial marcada para 15 de setembro e distribuição geral no dia 16.

Na estrada – O filme é um amplo documentário que registra a vida da banda na estrada entre 1962 e 1966, com entrevistas recentes de Paul e Ringo, além de muitas imagens de arquivos, não só os oficiais, mas os de beatlemaníacos de todo o mundo, convidados a cooperar com com fotos e clips caseiros. De 1962 a 1966, os Beatles fizeram cerca de 250 concertos e 18 países. O projeto original do documentário foi apresentado em 2014 à Apple Corps pela produtora One Voice One World e, a partir de então, passou a ser produzido.

Desde 1961, os jovens Beatles, calejados por duas turnês em Hamburgo, na Alemanha, tinham sua base de apoio e uma legião de seguidores num porão de Liverpool transformado no clube noturno chamado The Cavern, na 10 Mathew Street. Lá os Beatles tocaram 292 vezes, despertando o interesse de Brian Epstein, dono de um loja de discos na cidade, que logo viu nos garotos um enorme potencial de negócio. Virou empresário da banda e a banda virou mito.

Fachada do Cavern Club, em Liverpool, no início dos anos 60.

Fachada do Cavern Club, em Liverpool, no início dos anos 60.

Os Beatles, ainda com Pete Best na bateria, tocando no Cavern Club, onde se apresentaram xxx vezes.

Os Beatles, ainda com Pete Best na bateria, tocando no Cavern Club, onde se apresentaram 292 vezes.

Datas – Dirigido por Ron Howard, o documentário contou com o total apoio de Yoko Ono, de Olivia Harrison (viúvas de John Lennon e de George Harrison), de Paul McCartney e de Ringo Starr. Sua estreia mundial está marcada para o dia 15 de setembro no Leicester Square, em Londres, para, no dia seguinte, ser liberado para  exibição mundial.

O foco do documentário nas muitas turnês dos Beatles é curioso, já que a fama crescente da banda tornava cada vez mais inaudível as suas apresentações. Os gritos das plateias eram tão altos que as ainda rudimentares aparelhagens de som eram insuficientes para que o público e os próprios músicos pudessem ouvir alguma coisa. Os amplificadores de 30 watts que a Vox disponibilizava para a banda sofreram um up grade para 100 watts, o que não resolveu o problema.

Veja o trailer do documentário Eight Days A Week – The Touring Years:

 “Carisma” – Mesmo assim, os Beatles amadureceram na estrada. Desde muito cedo, suas apresentações ao vivo punham medo em grupos concorrentes. “Nós podíamos ter mais ou menos a mesma idade, mas éramos meninos enquanto eles eram homens”, disse Frank Allen, da Cliff Bennett & The Rebel Rousers, ao relembrar as apresentações dos Beatles em 1962, em Hamburgo. “Eles exalavam carisma e poder natural”, disse.

Veja um vídeo editado da primeira apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show, em 9 de fevereiro de 1964:

Sonho recorrente – Depois da consagração nos Estados Unidos, de três filmes e um desenho animado, de hostilidades nas Filipinas e da declaração de Lennon de que os Beatles eram mais conhecidos que Jesus Cristo, os músicos recolheram-se aos estúdios e deram início à sua fase mais criativa, só voltando a tocar em público, ainda que de maneira indireta, em 30 de janeiro de 1969, no teto da Apple, em Londres. O fim da banda estava próximo e o sonho acabaria em 1970.

Acabaria?

Nem John Lennon, um dos mais céticos em relação à perenidade da banda poderia imaginar que os Beatles seriam o mais recorrente dos sonhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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