Vida que segue

Vida que segue

Oscar Quiroga

20 de dezembro de 2012 | 22h54

Das 22h54 de quinta-feira 20-12-12 até 10h13 de sexta-feira 21-12-12, horário de verão de Brasília, a Lua que cresce em Áries está em trígono com Mercúrio. No mesmo período, Sol ingressa em Capricórnio.

A vida humana é complexa, não se circunscreve ao que os sentidos físicos experimentam, nem sequer encontra nessa dimensão sua maior importância.

Pessoas podem estar sentadas diante de seus computadores, por exemplo, objetivamente lendo agora estas linhas ou fazendo outras coisas, porém, não é essa atividade que definirá seus estados existenciais, mas o somatório dos pensamentos e ideações que elas exercitam, agregando-se as intensas emoções que acompanham o processo.

Por isso, apesar de objetivamente o Sol ingressar agora em Capricórnio e nenhum Fim do Mundo profetizado pela leitura dos Calendários Maias acontecer, muita gente vivencia seu próprio e particular Fim de Mundo, experimentando dilúvios constantes, infernos que as torturam e ideações que as martirizam, sem que nada disso transpareça pelas suas aparências, a não ser para olhos treinados que conseguem enxergar sinais através de gestos ou por meio de alterações no rosto.

O que não acontecerá de jeito algum é o Fim do Mundo coletivo, mas haverá, como acontece há tanto tempo, Fins de Mundo particulares, que não são obrigatórios, mas criações que produzem calabouços de consciência em que as pessoas se metem com suas próprias forças, esquecendo-se depois de onde deixaram as chaves que as libertariam, pretendendo constantemente que outros as busquem para elas.

A criatividade humana não tem limites, mas como ainda não brandimos essa virtude com destreza, normalmente vemos horrores em vez de sublime beleza.

O processo de aperfeiçoamento é lento, mas infalível. Sem querer ser panglossiano, mas já o sendo, tudo continua da melhor forma possível, no melhor dos mundos, por que, então, teríamos de desejar seu fim?

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