Relacionamentos e Prisões

Relacionamentos e Prisões

Oscar Quiroga

18 de novembro de 2012 | 10h11

Às 10h11 de domingo 18-11-12 a Lua que cresce ingressou em Aquário e está em sextil com Urano, quadratura com Saturno e trígono com Júpiter até 8h48 de segunda-feira 19-11-12, horário de verão de Brasília.

Relacionamentos não são prisões, mas quantas pessoas os vivem assim?

Ponha a mão no coração e converse com absoluta sinceridade com sua própria alma, para verificar quantos relacionamentos são desenvolvidos sem verdadeira boa vontade, motivados por razões que os justificam, mas que não os convertem em trampolins para que as pessoas envolvidas sejam mais livres, belas e verdadeiras.

Contudo, essa constatação não há de servir de fundamento para se convencer de estar vivendo a vida errada, imaginando que tudo seria diferente em outro relacionamento.

Por acaso você já não fez a experiência de mudar de relacionamento com essa esperança e ao cabo de vários anos a prisão voltou a se erguer?

Feita essa constatação e superado o desânimo inicial que essa causar, o assunto a seguir será começar a perceber a utilidade dessa prisão, pois se por enquanto é insuperável, o melhor a fazer é encontrar-lhe a utilidade.

O cimento dos muros de todas as prisões é constituído de exigências, de inflexibilidade, de cobranças mutuas, sempre alimentadas pela vontade de fazer os parceiros e parceiras se sentirem cheios de culpa; os tijolos são padrões morais com os quais nem você concorda, mas continua mesmo assim sustentando, como se não houvesse vida inteligente além desses.

As prisões em que se convertem os relacionamentos não são necessariamente o resultado de as pessoas envolvidas serem perversas, mas porque juntas elaboram um tipo de química mediante a qual ambas definem que as coisas sejam assim ou assado, criando um discurso que ao longo dos dias e noites sustenta a prisão.

É o discurso! Palavras que podem tanto ser ditas ou não, pensá-las e martelá-las a todo momento para definir a realidade também produzem o mesmo efeito.

Por isso, e sabendo todo mundo que a realidade pode ser reinventada a qualquer momento, se as pessoas sofrem dentro de relacionamentos que são verdadeiras prisões, elas assim padecem porque o desejam e não porque não sejam capazes de libertar-se.

E a libertação nunca ocorrerá mudando de relacionamento, mas resolvendo tudo, todos os mínimos detalhes mediante os quais uns agrilhoam os outros.

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