Os interstícios ilógicos

Os interstícios ilógicos

Oscar Quiroga

30 de janeiro de 2014 | 02h33

 

Às 2h33 de quinta-feira 30-1-14 a Lua ingressou em Aquário para completar sua fase NOVA em sextil com Urano, quadratura com Saturno e trígono com Marte até 14h45 de sexta-feira 31-1-14, horário de verão de Brasília. No mesmo período, Júpiter e Plutão em oposição, Mercúrio ingressa em Peixes.

Nossa humanidade sonhou o mundo em que vive, o sonhou resistente, sólido, consistente, arraigado e perpetuado em tradições, é um sonho ubíquo; porém, nesse sonho nossa humanidade também deixou pistas, interstícios que não fazem sentido, que não têm lógica, que desintegram a consistência arraigada no real, transformando-a numa surrealidade, como se fosse uma passagem rápida da percepção normal para a alucinação.

Esses interstícios são as marcas sábias que nossa humanidade mesma fez para em algum momento do sonho despertar e atualizar a consciência e discernir a diferença entre realidade e ilusão.

Vê Tu o caso do dinheiro, por exemplo, que é uma divindade incontestável, uma linguagem que é reconhecida nos quatro cantos do mundo, uma dimensão que todo ser humano cobiça ou anseia. O dinheiro não existe, este é o caso do dinheiro. É um ato de fé, o dinheiro vale o quanto nossa humanidade confiar que esse vale, nem um pouco a mais, nem um pouco a menos.

Num interstício ilógico Tu te encontrarias portando uma mala com um milhão de dólares em espécie, mas estarias nos confins de uma floresta fechada e sem bússola, nem celular, nem meio de orientação algum. Nesse instante ilógico o valor do dinheiro evaporaria, essas notas de papel te seriam inúteis.

E se esses interstícios ilógicos que nossa humanidade teme e anseia ao mesmo tempo ocorrem individualmente, porque o mundo é o somatório dos sonhos humanos também acontecem interstícios ilógicos de forma coletiva.

Nesses momentos históricos nossa humanidade alucina o apocalipse, mas esse não chega pela mão de 4 cavaleiros cósmicos que descem de naves extraterrestres. O apocalipse chega através de várias gerações que, em sequência, tornam a alucinação mais real do que a consistência do sonho que nossa humanidade sonhou, e que apelida de mundo.

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