Multidão de Eus

Multidão de Eus

Oscar Quiroga

21 de julho de 2014 | 13h36

 

Às 13h36 de segunda-feira 21-7-14 a Lua que míngua ingressou em Gêmeos e está em sextil com Júpiter, quadratura com Netuno, sextil com Urano e trígono com Marte até 21h53 de quarta-feira 23-7-14, horário de Brasília. No mesmo período, Mercúrio e Plutão em oposição, Sol ingressa em Leão.

Apesar de sabermos que cada um de nós é uma íntegra unidade, quando observamos subjetivamente nossas vidas percebemos em nossos interiores uma surpreendente multidão de Eus que não se entendem entre si, é como se todos fôssemos essencialmente esquizofrênicos, pois nossas vidas interiores são despedaçadas constantemente por quereres contraditórios entre si, personagens que lutam entre si diária e constantemente, enquanto nós fingimos em nossos espelhos sermos uma unidade coerente e íntegra.

É evidente que somos todos assustados por clamores que se opõem entre si, porém todos vindo de uma mesma fonte, nossas vidas interiores. Pois bem, afinal, quem somos, uma unidade íntegra, ou por ventura somos uma infinidade de Eus que não conseguem se entender entre si, e cujo destino inafiançável seria perpetuar esse estado de conflito?

A resposta é simples, mas sua realização é complexa, pois, é verdade que somos uma unidade, é plena verdade que a consciência que somos é uma com o infinito Universo, porém, não é menos verdade que essa consciência única se manifesta através de diversos mundos e dimensões, e que nossas personalidades são efetivamente feitas de todos esses planos e mundos.

Uma luz única se manifestará de formas muito diversas através da água, através do ar, através da terra e através do próprio fogo. Aplicando-se o exemplo a nossas personalidades, a mesma luz da alma, a luz do coração, se manifestará de uma forma mentalmente, de outra forma diferente emocionalmente, e ainda de maneira diversa no mundo físico. A consciência continua sendo única, mas como nós temos grande dificuldade de perceber a unidade por trás da multiplicidade, nossa percepção é constantemente tumultuada pela diversidade, e nos perdemos e assustamos no meio de vozes contraditórias entre si.

Nós estamos no caminho da evolução justamente porque vislumbramos e entendemos a unidade por trás da multiplicidade, mas estamos também tentando nos livrar dessa multiplicidade, e os grandes e profundos conflitos e problemas que enfrentamos se processam  todos ao redor dessa dinâmica.

Nossa única energia se manifesta através de muitos mundos. Quando você faz passar eletricidade através de filamentos de cobre, você vê luz, porém se a mesma energia elétrica for passada através do ferro, você sente calor, ou ainda em outros casos se manifesta como magnetismo, ou se a mesma eletricidade for passada através de uma solução salina, ela se manifesta como poder de decantar e separar os elementos constituintes da solução.

O problema todo consiste em nós estabilizarmos a unidade de consciência por trás da multiplicidade de suas manifestações.

Nós já conhecemos isso racionalmente, mas falhamos na prática, porém, o próprio ato de falhar já é em si mesmo um bom sinal, pois significa que estamos tentando, e em nossas tentativas somos acompanhados de perto por uma miríade de seres espirituais que já passaram pelo mesmo, e que nos sopram na mente a idéia de que o caminho, ainda que difícil e aparentemente impossível, é praticável, pois já foi trilhado por inúmeras pessoas que o superaram.

O único Eu que nós somos é o mesmo Eu que nos atormenta porque preferimos percebê-lo como um montão de Eus que não se entendem entre si; o Eu que sente, que é o Eu astral; o Eu que pensa, que é o Eu mental; o Eu que deseja, que é o Eu emocional; Eu penso, Eu sinto, Eu desejo, Eu faço, são muitos Eus, muitos empregados para administrar, e que por enquanto fazem o que querem, e não o que nós lhes ordenamos.

A boa notícia por trás de todos os problemas e conflitos que enfrentamos diariamente é a de que isso só é possível quando nos aproximamos o suficiente da Luz para que ela nos encoraje a seguir em frente, e a não desistir de nos aproximarmos cada vez mais dela.

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