Moralismo e ética

Moralismo e ética

Oscar Quiroga

22 de abril de 2014 | 01h18

 

Á 1h18 de terça-feira 22-4-14 a Lua ingressou em Aquário onde completa a fase QUARTO MINGUANTE em sextil com Urano, trígono com Marte e quadratura com Saturno até 13h10 de quarta-feira 23-4-14, horário de Brasília. No mesmo período, Marte em quadratura com Júpiter e oposição a Urano e quadratura com Plutão, Mercúrio ingressa em Touro.

Há um moralista escondido no coração de toda nossa humanidade, as exceções são raríssimas e, talvez, possam ser contadas com os dedos de apenas uma mão dentre os bilhões de almas encarnadas.

Esse moralista escondido no coração de nossa humanidade às vezes se mascara de ser contrário aos moralistas, porém, para criticá-los faz uso dos mesmos instrumentos, a voz sobe de volume, o dedo fica em riste e as acusações voam livres sobre o alvo escolhido, inclusive se o alvo escolhido for justamente o dos moralistas. O moralismo só aceita críticas do próprio moralismo.

Acontece que a própria estrutura da civilização é moralista, o que nos torna civilizados é sermos morais, o que não significa que necessariamente sejamos éticos, há uma diferença sutil entre ética e moral.

Enquanto a ética está sempre associada aos princípios que norteiam o melhor comportamento possível para que os benefícios da convivência sejam os melhores para o maior número possível de pessoas, a moral está associada aos hábitos e costumes, e é por isso mesmo que há um moralista escondido no coração de qualquer pessoa normal, porque somos todos animais de hábitos e costumes, e rangemos como portas velhas quando nos tiram disso ou acontece qualquer coisa que ameaçar nossos costumes estabelecidos.

Ainda a mais revolucionária das almas humanas é moralista, portanto, apegada aos seus hábitos e costumes e, por isso, chegará ao momento em que erguerá o dedo em riste e dará sermão a outrem, cujos hábitos e costumes não sejam vistos com bons olhos.

A revolução íntima desenvolvida com uma frequência bastante assídua seria o antídoto necessário para ninguém estacionar tanto em seus hábitos e costumes que de moralista discreto se transforme em moralista explícito, um tipo de personagem que é um desafio à paciência de qualquer um, pois não tem nada mais chato do que o moralista empoleirado dando sermão em todo mundo. O princípio de todo moralista explícito é o de estar completamente convencido de que apenas e exclusivamente seus hábitos e costumes são os melhores e que, por isso, deveriam reger a existência de todas as pessoas.

A própria coluna vertebral do moralismo é a ameaça potencial da diversidade que, eticamente, há de reger a convivência humana, pois a intolerância é inerente ao moralismo. E a intolerância, tal qual o moralismo, não é atributo exclusivo de nenhuma facção ou ideologia, todas as pessoas comungam nelas, só se diferenciam no grau de ser mais ou menos explícitas nisso.

Talvez um dia aconteça de essa dinâmica do moralismo ser obrigada a zerar por um evento tão portentoso que não permita qualquer hábito ou costume persistir. É dessa perspectiva que se nutre a esperança de aterrissarem naves alienígenas ou de acontecer um desastre de proporções globais.

No íntimo nossa humanidade sabe que se não se desapegar do moralismo continuará embrutecida, mas enquanto isso não acontecer, continuará se sentindo ameaçada pelo moralismo alheio, quando na verdade o verdadeiro inimigo é e será sempre o seu próprio moralismo.

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