Inquietações escatológicas

Inquietações escatológicas

Oscar Quiroga

02 de dezembro de 2012 | 23h58

Às 23h58 de domingo 2-12-12 a Lua que míngua ingressou em Leão onde está em trígono com Urano, quadratura com Saturno e sextil com Júpiter até 21h50 de segunda-feira 3-12-12, horário de verão de Brasília.

Primeira semana útil do mês do fim do mundo que foi cancelado, diga-se de passagem, mas que, mesmo assim, deixa no ar o pensamento do que seria de todos nós se esse fosse verdadeiramente o mês da contagem final.

Permaneceria você a postos, fazendo o mesmo de sempre? Ou na certeza de tudo ir para o espaço em menos de 20 dias você abandonaria sua rotina e faria o que até agora não fez?

É um pensamento tentador o de mandar todas as pessoas catar coquinhos na esquina enquanto você, finalmente, se atreve a experimentar o que até aqui teria sido impossível, com a mente amarrada por padrões morais e idéias de responsabilidades que não se sustentariam se, por acaso, o fim do mundo fosse uma realidade iminente.

Está aí a oportunidade, sem você saber ao certo se está tudo prestes a acabar, mas pairando sobre o planeta a idéia de que a qualquer momento se desenvolva um espetáculo psicodélico de Anjos descendo de naves interplanetárias a guerrear contra os demônios surgidos do porão de algum Banco Internacional; fica ao seu critério continuar levando ou não sobre suas costas o peso da normalidade.

Francamente, a normalidade parece uma tara de nossa humanidade, porque, considerando que somos seres infinitesimais levitando no infinito, essa pretensão de nos encerrarmos na normalidade só pode ser uma tara, e não daquelas no sentido budista do termo, mas as piores possíveis.

Pelo sim, pelo não, muito pelo contrário, vai que em menos de 20 dias a coisa pegue fogo por aqui; essa idéia torna propício que a gente, pelo menos, fique imaginando o que faria se tudo estivesse à beira do fim.

O que você faria, hein?

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