Fúria

Fúria

Oscar Quiroga

17 de agosto de 2013 | 19h04

 

Das 19h04 de sábado 17-8-13 até 15h27 de domingo 18-8-13, horário de Brasília, a Lua que cresce em Capricórnio está em quadratura com Urano e oposição a Marte.

E a qualquer momento… uma explosão de raiva! De um momento a outro, mudança de temperatura e tempestades em pontos isolados da alma, mas com tal intensidade que parecem se transformar na alma completa.

Nada mais longe da verdade. Quando tomada pela fúria da raiva, a alma está incompleta, dividida, exilada de seu lugar natural, convencida de que nunca mais conseguirá retornar ao seu lugar.

Como conter a fúria que se apaixona pela incontinência? Respirando fundo? Recitando mantras? Erguendo as mãos para o céu e elevando uma prece?

Tudo isso serve, mas só quando a fúria já tiver aparecido em cena, pois ela surge do nada de um instante a outro, sem prévio aviso, é a tempestade que não dá sinais, num segundo se apossa do inteiro horizonte.

Depois virão os argumentos que tentarão validá-la, mas a fúria é uma deusa antiga, recusa raciocínios, ela é quem ela é, subjuga os sentidos e a razão se curva cheia de temor a ela.

Pedir perdão então? Quem for elegante o fará de todo coração, mas nada desintegrará o fato histórico da fúria emergindo, destruindo e desaparecendo, nunca antes de deixar mortos e feridos ao seu passo.

Onde está a fúria quando ela não está? Certamente em outros pontos isolados do planeta e da alma alheia, está sempre por aí, mas não consegue se precipitar o tempo inteiro numa só pessoa, viaja de pessoa em pessoa ao longo do planeta.

Em tempos antigos se faziam rituais cotidianos para propiciar tais deuses e exorcizar outros, nós, modernos e sofisticados, desprezamos o que ainda precisamos, e assim vão as coisas, porque tendo destruído o antigo não erguemos ainda nada tão eficiente.

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