Estranhos numa terra estranha

Estranhos numa terra estranha

Oscar Quiroga

24 de junho de 2012 | 23h54

Das 23h54 de domingo 24-6-12 até 7h54 de terça-feira 26-6-12, horário de Brasília, a Lua que cresce em Virgem está em conjunção com Marte. No mesmo período Mercúrio ingressa em Leão, Saturno retoma progradação, Júpiter e Netuno estão em quadratura.

Sentir-se estranhos numa terra estranha, além de ser o título de um livro memorável, é um sentimento que se tornou cada vez mais difundido nos últimos tempos, e que hoje atinge seu ápice.

É que faz muito tempo que a alma medianamente manifesta através da personalidade humana não consegue identificar na realidade da civilização nada, ou muito pouco, do que realmente lhe interessa vivenciar.

Essa é a fonte da incômoda condição de nos sentirmos estranhos numa terra estranha, como exilados de nossa pátria amada, de nossa casa, longe do que nos é familiar e condenados temporariamente (quanto tempo?) a vivermos num lugar que nos é estranho.

Normalmente isso é suportado com galhardia, senão com mau humor, porém, alimenta também aquele desespero silencioso, como quando estamos em algum lugar em que não conhecemos o idioma e no qual as pessoas não são gentis e compreensivas com nossas limitações, muito pelo contrário. Em algum momento esse desespero se transforma em raiva e começamos a dar chutes e patadas para tudo quanto é lado.

Porém, o mundo não tem a culpa de não ser o lugar aconchegante que você apreciaria, esse é resultado do somatório inconsciente de desejos e maldades que todos permitimos aninhar em nossos interiores.

Por outro lado, a sensação de estranheza é o último refúgio de nossa sanidade, seria pior nos sentirmos confortavelmente situados nesse mundo muito louco e insano, que subverteu todos os princípios sem os quais a vida de nossa humanidade degringola diariamente na direção da brutalidade.

O maior cuidado que temos de tomar é não confundir alhos com bugalhos, pois, como disse, a sensação de estranheza é em si mesma um sinal de sanidade num mundo insano. Só que em algum momento nos veremos tentados a transformá-la em motivo de agressão, já que somos tão incompreendidos.

Nesse momento, despercebidamente, começaremos a nos transformar e identificar com aquilo que nos faz sentir estranhos, passando a ser mais um dentre tantos monstrengos que pululam por aí.

A única virtude que pode nos salvar é a inofensividade. Sermos inofensivos nas palavras, nos sentimentos e nas obras.

Isso, porém, não significa sermos mansos e passivos, é completamente possível defender com firmeza os princípios sem, no entanto, recorrer à agressividade.

A fórmula é complexa, mas quem convenceu você de que a vida na Terra seria simples e bucólica?

Próximo boletim será publicado às 7h54 de 26/6/12

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