Eclipse

Eclipse

Oscar Quiroga

12 de novembro de 2012 | 21h34

Das 21h34 de segunda-feira 12-11-12 e até 8h40 de terça-feira 13-11-12, horário de verão de Brasília, a Lua completa sua fase Nova em Escorpião, também em conjunção com Mercúrio que, retrogradando, reingressou neste signo. No mesmo período, Mercúrio em quadratura com Netuno.

A Lua vai eclipsar o Sol, mas só será possível ver o espetáculo no Oceano Pacífico e no norte da Austrália.

Outrora, os corruptos sacerdotes magos da Babilônia, conhecedores dos eclipses e capazes de calcular o momento exato desses eventos, armavam verdadeiras cenografias mediante as quais ameaçavam esconder o Sol ou a Lua, mas tudo que faziam era aproveitar-se do evento em proveito de seus sórdidos planos. Daí provém grande parte do ódio que a Astrologia, como saber, carrega sobre suas costas.

Além do ódio há também a superstição aliada a esse desejo infame de que o mundo acabe logo de uma vez e, aproveitando 2012, não será raro circularem anúncios temíveis em torno de este eclipse solar. Tudo balela!

Na prática a Lua se interpõe exatamente entre a Terra e o Sol, obstruindo a visão do globo solar. O significado disso? Nenhum para os indivíduos, mas que pode ser motivo de especulações importantes no âmbito das Nações, só que neste caso a linha do eclipse acontece toda em águas do Oceano Pacífico, não recaindo sobre nenhuma Nação em particular, porém, haverá também os que afirmem que se encontram aí, submersas, as falhas geológicas mais importantes, o que anunciaria um tsunami daqueles. Tampouco haverá isso! E mesmo que houver, 2012 será o ano que futuramente será lembrado como o Fim do Mundo que nos decepcionou, por não acontecer.

Melhor nos conformarmos logo com nosso tamanho, não muito grande nem tampouco assim tão pequeno, que não merece tamanha atenção das forças cósmicas, o que, vale a pena dizer, melhor deixar assim, com essas forças cósmicas olhando para outro lado, porque por aqui não temos capacidade de suportá-las e, quando presentes, demonstram uma aparência destrutiva, não o sendo pela sua própria natureza.

Enquanto isso, os maiores movimentos, os mais importantes e de dimensões colossais, não são objetivos, mas subjetivos, são os terremotos e tsunamis de estados de ânimo que varrem nossa consciência da vida normal e a fazem perceber nuances que sempre estiveram por aí, mas que nunca foram devidamente valorizadas.

Tirar a gente da vida normal, isso sim é um pequeno grande desastre! Pois enquanto isso temos de fazer pose de que tudo continua igual e por dentro lidar com titãs e deuses que não fazem menção de admitir ser tratados de forma irreverente ou displicente.

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